Estado Assassino!

A morte de nove jovens, assassinados pela ação da polícia militar, na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, chocou o mundo.

Da tribuna da Câmara, o vereador Renato Cinco (PSOL) manifestou o seu repúdio à truculência do Estado, o qual classificou de assassino.

Renato Cinco também criticou o apoio de algumas pessoas à ação da polícia pelas redes sociais.

“Fico estarrecido com as defesas que estão sendo feitas nas redes sociais dessa ação da polícia militar. (…) Eles olham aqueles jovens e entendem que eles têm sim que ser exterminados pela polícia militar, simplesmente porque eles são jovens favelados, a maioria negra, frequentando um baile funk, e provavelmente havia consumo de drogas”.

O vereador lembrou que os perfis dos que criticam na internet parece de frequentadores de boates da zona sul do Rio, onde se faz também o consumo de drogas.

“Ora, não é o consumo de drogas que faz com que pessoas vis tenham a coragem de defender o extermínio daquela população. E nem é o ritmo, o funk ou qualquer outro ritmo que estimula o uso de drogas. O problema não é maconha; não é a cocaína; não é o funk e não é o rock; nem o samba. O problema é que ali se reuniam jovens, negros, da periferia, das favelas de São Paulo e o nosso Estado é assassino. O Estado é exterminador da juventude negra e favelada deste país”, criticou.

Cinco também lembrou que não adianta vociferar contra os policiais ou contra a polícia como se o problema fosse os despreparos dos agentes de segurança. O vereador, que é sociólogo por formação, reafirmou que o problema é o Estado brasileiro.

“Tão assassino quanto a polícia é o Ministério Público e os tribunais deste país, que permitem que a polícia assassine mais e mais e não fazem nenhuma ação concreta para impedir o extermínio dos jovens pela nossa polícia”, destacou.

Cinco lembrou que o problema da violência é histórico. Desde de o ano de 1500, com a chegada dos portugueses nessas terras, “o capital e o Estado são cúmplices do extermínio do nosso povo em nome dos negócios de meia dúzia de famílias”, concluiu.

As vítimas do massacre de Paraisópolis foram:

1. Marcos Paulo Oliveira dos Santos, de 16 anos
2. Dennys Guilherme dos Santos Franca, de 16 anos
3. Denys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos
4. Gustavo Cruz Xavier, de 14 anos
5. Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos
6. Mateus dos Santos Costa, de 23 anos
7. Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos
8. Luara Victoria de Oliveira, de 18 anos
9. Eduardo Silva, de 21 anos

Outras 12 pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento em hospitais da região. Paraisópolis é a segunda maior comunidade da cidade, com 100 mil habitantes.

O governador de São Paulo, elogiou a ação da polícia.