As chuvas são inevitáveis, as mortes não

No aniversário da cidade do Rio de Janeiro, os moradores não tiveram o que comemorar. No dia 1º de março, quando o município completou 455 anos, lamentamos a morte de mais pessoas mais uma vez em decorrência das fortes chuvas e do descaso das autoridades públicas.

Duas mortes aconteceram na Zona Oeste do Rio. No bairro do Tanque, Flávio da Silva de 40 anos morreu atingido pelos escombros da própria casa, que não resistiu ao temporal e desabou. Na Taquara, Vânia Nunes de 75 anos morreu após receber uma descarga elétrica. Na Zona Norte, em Acari, Wellington Batista, de 40 anos morreu afogado ao tentar salvar a mãe de duas meninas, que minutos antes conseguiu resgatar. Outras duas pessoas morreram na Baixada Fluminense. Mizael Xavier, 62 anos, atingido por um desabamento na Estrada Feliciano Sodré, em Mesquita e Mateus Souza Oliveira, de 21 ano, encontrado em um rio em Queimados.

A recente tragédia que atinge o Rio de Janeiro em função das chuvas, não é simplesmente um problema da natureza. Há décadas, a cidade é administrada em função dos interesses dos negócios e não da população.

A gestão de Eduardo Paes usou a justificativa dos Grandes Eventos e elevou a dívida pública da cidade de meio bilhão de reais para mais de R$ 2 bilhões.

Além dos negócios, a opção de gastos exorbitantes com a Secretaria da Ordem Pública é uma péssima escolha. Os números da pasta hoje ultrapassam os R$ 600 milhões. A Ordem Pública não é uma atribuição do município, mas apesar disso, vem engordando o orçamento a cada ano na gestão de Crivella.

O atual prefeito agrava a situação com cortes sistemáticos nos orçamentos para prevenção de enchentes e contenção de encostas na cidade.

No ano de 2019 foram 17 mortes em decorrência das fortes chuvas, a situação foi tão dramática, que o vereador Tarcísio Motta propôs e conseguiu maioria para abrir a CPI das Enchentes. Renato Cinco foi o relator da Comissão.

oram 180 dias de trabalhos, dezenas de oitivas, duas Audiências Públicas, diversas vistorias. A Comissão fez mais de cem recomendações, entre elas o indiciamento de cinco agentes públicos, incluindo o prefeito. Apesar disso, parece que ele não aprendeu a lição.

Marcelo Crivella reincide nessa política criminosa. Na semana passada denunciamos que a prefeitura, por decreto, remanejou R$ 3,98 milhões da ação “estabilização geotécnica”, aquela que cuida das encostas da cidade para a Riotur, no “Projeto Carnaval”. Desse total, 1,6 milhão foi para a passarela do samba; 214,5 mil para um evento na Cinelândia e 2,2 milhões para o carnaval em geral.

“É muito importante que todas e todos se protejam, colaborem uns com os outros para atravessar esse momento difícil na nossa cidade. E é importante também, que a gente lembre que vivemos o período de aquecimento global e mudanças climáticas, o que fará com que os problemas históricos da nossa cidade, de falta de interesse do poder público na prevenção dos desastres ambientais, passe tomar proporções ainda mais graves. Então é fundamental que neste momento cuidemos uns dos outros, mas que não esqueçamos que é preciso muita luta para que o Poder Público efetivamente trabalhe em nome da população”, lembrou Cinco.