“Minha Casa, Meu Professor” é MENTIRA!

Nesta quarta-feira (11), a maioria dos vereadores na Câmara do Rio aprovou (30 votos a dez), em primeira discussão, o Projeto de Lei “Minha Casa, Meu Professor”. O projeto 1.418/2019, proposto pela prefeitura, trata somente da mudança de gabarito, no terreno na Pedra da Panela, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Entretanto a prefeitura insiste em iludir professores e vende a proposta como se fosse um projeto de construção de casas populares para profissionais de educação.

Não é. Durante a semana, o vereador Renato Cinco foi à tribuna da Câmara algumas vezes desmentir o engodo.

“Ninguém aqui está tratando, de fato, da construção de casas para os professores e as professoras. Esse projeto não existe, o projeto altera a delimitação da área, uma lei de parâmetros urbanísticos”, enfatizou Cinco.

Renato Cinco levantou suspeitas sobre o real interesse do prefeito e dos vereadores que apoiaram a proposta: “eu acho que o Ministério Público, a Defensoria Pública, a Polícia Civil e o Tribunal de Contas do Município tem que olhar neste momento para a Câmara Municipal. Nós estamos vendo aqui ser produzida propina para financiamento de campanha eleitoral, é disso que se trata esse projeto”.

O vereador lembrou que o próprio dono do terreno, o empreiteiro Carlos Carvalho Hosken, admitiu que não tem interesse em construir ali nos próximos dois anos e que “não seria financeiramente viável a construção de moradias para a faixa de até seis salários mínimos”.

A conta é simples, o projeto não fala em “Minha Casa, Meu Professor”. O dono do terreno nega a destinação para essa categoria, então, o que pode estar por trás da pressa e da sanha do prefeito e de alguns vereadores em aprovar esse projeto?

Alguns vereadores falaram em emendar a proposta, mais uma falácia. As regras do programa federal “Minha Casa, Minha Vida” são claras: a divisão é por faixa de renda e não por categoria profissional. Uma alteração dessas no projeto será facilmente questionada na justiça e derrubada.

Renato Cinco citou o jornalista Luiz Ernesto, do jornal O Globo, que estava presente na sessão e leu a manchete da reportagem que o jornal publicou horas antes. “Dono de construtora diz que tem ‘conversa fiada’ de vereadores sobre projeto de Crivella votado na Câmara”.

https://oglobo.globo.com/rio/dono-de-construtora-diz-que-tem-conversa-fiada-de-vereadores-sobre-projeto-de-crivella-votado-na-camara-24299184

“Essa Câmara, está produzindo um crime contra o povo do Rio de Janeiro Temos que nos insurgir contra essa maracutaia que está sendo realizada pela Câmara Municipal. Do ponto de vista urbanístico, o projeto também não se justifica. Nós não precisamos avançar sobre as áreas verdes da cidade para garantir o atendimento das necessidades imobiliárias, do crescimento da população. Basta adensar algumas áreas da cidade”, insistiu Cinco.

Cinco também lembrou que o mais importante é lutar pela volta da carta de crédito para que os profissionais de educação possam escolher onde morar. E classificou a aprovação do projeto como “esqueminha de gente corrupta para favorecer a especulação imobiliária”.

Antes da sessão extraordinária que aprovou o projeto, apresentamos requerimento de informações questionando as possíveis reuniões entre o prefeito e Carvalho Hosken, as datas e o conteúdo desses encontros, caso tenham ocorrido.

O projeto deve voltar à pauta de votação na semana que vem e se for aprovado só dependerá da sanção do prefeito.