CRIVELLA MENTE: verdades sobre o “Minha Casa, Meu Professor” e o desrespeito à comunidade escolar em tempos de pandemia

No final de 2019, o prefeito Marcelo Crivella anunciou o lançamento dos programas “Minha casa, meu professor” e “Minha casa, meu educador”, mas assim que a matéria entrou em discussão na Câmara Municipal, o que parecia ser uma boa medida – a construção de casa própria para profissionais da educação do Rio -, revelou-se um verdadeiro engodo. O projeto não trata de habitação para a categoria, mas da mudança de gabarito da área localizada em Jacarepaguá. Resumindo: é uma mentira em forma de projeto de lei.

Mas, por que estamos retomando o assunto? É que de forma oportunista e desumana, o prefeito pressiona a Câmara a votar ainda hoje o PL 1418/2019, desrespeitando o acordo feito entre os vereadores da Casa de apenas votar projetos relacionados à pandemia de COVID-19.

Entenda:

O projeto em questão mais que dobra o gabarito dos terrenos sem gerar qualquer obrigatoriedade de destinação a habitações de interesse social e não faz nenhuma menção ao funcionalismo público do município. Em discussão no plenário, em março deste ano, denunciamos o que está por trás do PL, “o prefeito mente porque o projeto não existe. Não trata de ‘Minha casa, meu professor’, apenas altera a delimitação da área, é uma lei urbanística. Pega uma área onde o gabarito é de 8 andares e acrescenta 10 andares”, alertou Cinco.

O projeto também fere as regras do programa de habitação popular “Minha Casa, Minha Vida”. “Na página da prefeitura existe um cadastro para os professores que tiverem interesse no projeto e diz ainda que tem o apoio da Caixa Econômica Federal. ‘Minha casa, minha vida’ não é por categoria profissional, é por faixa de renda”, lembrou o vereador.

Confira a íntegra do discurso:

Do ponto de vista ambiental, o projeto também é ruim, pois o terreno fica ao lado do Rio das Pedras – área frequentemente atingida por enchentes e onde podem ocorrer afundamentos decorrentes da acomodação do solo, tal como aconteceu na Vila do Pan -, isso sem contar que prédios de 18 andares bloqueariam a vista da Pedra da Panela, que é protegida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Os profissionais de educação da rede municipal querem um plano municipal de habitação real. A categoria defende o retorno da carta de crédito, para que cada profissional possa comprar seu imóvel perto do seu local de trabalho ou onde quiser. Muito diferente da “proposta” da prefeitura de concentrar 20 mil pessoas em local sem infraestrutura sanitária e transporte.

Todo nosso esforço será para impedir essa votação absurda, que mais uma vez só beneficia o enriquecimento do dono do terreno.

Enquanto o prefeito mente para a categoria e quer fazer passar um projeto que somente gera benefícios à especulação imobiliária, os ataques aos profissionais da educação durante a pandemia seguem em curso. Em comunicados oficiais a prefeitura já anunciou que vai cortar:

– OS 15% DO DIFÍCIL ACESSO;
– AS DUPLAS REGÊNCIAS PARA OS PROFISSIONAIS DAS UNIDADES DE EXTENSÃO;

Além disso, diretores estão sendo obrigados a abrirem as escolas para resolver problemas de climatização e estudantes da rede passam fome, já que o cartão de merenda não chegou para a maioria.

Crivella, não se aproveite do sonho da casa própria!
Respeite o sofrimento causado pela pandemia.
A vida acima do lucro!