A pandemia do novo coronavírus e as endemias do política no Brasil e no Rio

O fluxo de notícias ruins em nosso país tem sido tão assustador quanto o avanço da Covid-19. O Brasil é presidido por um genocida que nos torna chacota mundial rotineiramente. Reflexo de uma política autoritária, nefasta, arcaica e extremamente danosa para o povo.

Em meio à turbulência de acontecimentos da política, como a prisão de Fabrício Queiroz – ex-assessor de Flávio Bolsonaro e principal elo de esquemas criminosos que envolvem a família do presidente e a saída de Abraham Weintraub – que escreve impressionante com C e paralisação com Z, além de ser racista e misógino – do Ministério da Educação, chegamos à triste marca de um milhão de pessoas contaminadas e 50 mil mortes em solo brasileiro. E, assim, passamos a ocupar o 2º lugar no ranking mundial da Covid-19, tanto por morte quanto por contágio, segundo dados divulgados pela Our World in Data, projeto de pesquisadores das Universidade de Oxford.

O Brasil de recordes lamentáveis é lamentavelmente o Brasil da flexibilização do distanciamento social. E o presidente, além de genocida, estimulou seus seguidores a invadir hospitais. 

Também é preciso dizer que num país extremamente desigual a pandemia não é democrática e os números são questionáveis. Os boletins do Ministério da Saúde, por exemplo, só passaram a incluir dados sobre a cor a partir do dia 11 de abril, um mês e meio depois da confirmação do primeiro caso de Covid-19, o que só se deu graças à pressão da Coalizão Negra por Direitos. 

Sabemos ainda que parte da população enfrenta a pandemia sem direito à moradia digna e acesso à saneamento básico. Situações amenizadas pela solidariedade, mas essa está longe de resolver problemas estruturais.

No Rio, a história se repete. O prefeito Marcelo Crivella, que já havia anunciado o plano de reabertura da cidade no dia 3 de junho, antecipou a volta do funcionamento dos shoppings e anunciou durante essa semana que pensa em antecipar a 3ª fase de reabertura – que pode implicar no funcionamento de bares, restaurantes, salões de beleza, entre outros. Crivella também autorizou a volta dos campeonatos de futebol. Felizmente, as torcidas são mais conscientes do que presidente e prefeito juntos, e já há protestos articulados no mundo da bola. 

O RJ em números 

Estudo de pesquisadores da PUC-Rio, lançado no dia 27 de maio, retrata bem as disparidades da pandemia, as mortes têm cor e classe majoritariamente. Quando se trata de mortes por Covid-19, segundo o levantamento, pessoas sem escolaridade têm taxas três vezes maiores (71,3%) em relação àqueles com nível superior (22,5%). Se combinado raça e escolaridade, a situação piora: pretos e partos sem escolaridade morrem quatro vezes mais pelo novo coronavírus do que brancos com nível superior (80,35% contra 19,65%). 

De acordo com  a Secretaria de Estado de Saúde (SES) até esta quinta-feira (18), havia 87.317 casos confirmados e 8.412 óbitos por Covid-19. A Capital tem o maior número de óbitos: 5.508; Seguida por Duque de Caxias  (362); São Gonçalo (320); Nova Iguaçu (296); Niterói (170); São João de Meriti (165); Belford Roxo (157); Magé (120); Itaboraí (110); Mesquita (97); Petrópolis (81); Campos dos Goytacazes (70); Angra dos Reis (68); Itaguaí (67); Nilópolis (64); Macaé (62); Volta Redonda (53); Teresópolis (42), Maricá (41), Guapimirim (34); Cabo Frio e Nova Friburgo, com 30 vítimas, são as cidades com menor número de mortes.

Para nós, os números são vidas perdidas. E, certamente, muitas mortes poderiam ser evitadas se houvesse uma política humana e solidária para enfrentar a crise sanitária imposta pelo novo coronavírus.

Por isso, dizemos não a reabertura da cidade e seguimos em luta, apoiando a resistência e a organização popular em tempos de pandemia. Por fim ao distanciamento social é decretar a morte ao povo do Rio. 

Pesquisa disponível em: http://www.ctc.puc-rio.br/diferencas-sociais-confirmam-que-pretos-e-pardos-morrem-mais-de-covid-19-do-que-brancos-segundo-nt11-do-nois/