SME volta atrás e adia retorno às aulas

A decisão da prefeitura em retornar as atividades escolares já no mês de julho causou indignação em toda sociedade civil. Isso foi percebido tanto nas plenárias e reuniões de sindicatos como SEPE (Sindicato dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro) e Sinpro (Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro), como nas publicações de instituições de pesquisa importantes como a Fiocruz, UFRJ e UNIRIO.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro convocou a SME para uma audiência pública sobre o retorno às aulas, e a sociedade civil que pôde participar atacou duramente a decisão da prefeitura. A ausência de participação do público tem sido uma das maiores contradições das audiências virtuais. A Associação dos Deficientes Visuais do Estado do Rio de Janeiro; o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Município; a Frente Contra o Ensino Remoto na Educação Básica foram algumas das entidades da sociedade civil que tiveram acesso negado à plenária. Os critério para não aceitar entidades e membros da sociedade ainda não é claro, mas as que estiveram presentes não pouparam críticas a decisão de usar crianças como vetor da Covid-19.

Quantas vidas de crianças a senhora está disposta a perder?” foi a principal questão levantada para a secretária Talma Romero Suane, feita pelo MOVEM – Movimento de Mães, País e Responsáveis da Escola Municipal Carioca. O mandato do vereador Renato Cinco aproveitou para lembrar a SME de que os responsáveis pelo retorno às aulas respondem criminalmente pelas mortes das crianças que por ventura venham a óbito por coronavírus adquirido com o retorno das atividades escolares. Essas foram as falas mais contundentes da audiência, mas as outras entidades e mandatos presentes também teceram duras críticas a decisão da prefeitura.

A SME se viu obrigada a rever a ação e suspendeu o retorno às aulas planejadas para o dia 6 de julho. Segundo a secretária, o retorno será adiado para setembro, mas para o SEPE, Sinpro, Fiocruz, outras entidades de pesquisa pública, e o mandato do vereador Renato Cinco, não é possível falar em data para a volta das atividades escolares. O mais correto seria conversar sobre as condições necessária para o retorno seguro.

A prefeitura do Rio de Janeiro deveria estar neste momento mais preocupada com a distribuição de cestas para alimentação das crianças. Segundo os coletivos de responsáveis da escola pública, a prefeitura só distribui nos últimos três meses, dois litros de leite; um cartão de R$100,00 para pouco mais de metade dos usuários de bolsa família e uma cesta básica única para algumas famílias de crianças com renda inferior a um salário mínimo. Com o agravante de que as famílias com mais crianças receberam apenas uma cesta, não considerando que a alimentação é um direito de cada criança.

O mandato do vereador Renato Cinco defende que o retorno seja feito só depois de controlarmos a pandemia e aplicarmos vacina em massa nas crianças da rede. A OMS (Organização Mundial de Saúde) prevê o desenvolvimento de uma vacina até dezembro de 2020. Nenhuma criança pode ser usada como instrumento de morte por políticas genocidas de qualquer governo que seja.

Precisamos distribuir comida e garantir o direito de todos ao isolamento social. NÃO toleramos as mortes da população por causa de uma irresponsável política de imunidade de rebanho.

Renato Cinco na audiência pública

Agencia Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-06/aulas-presenciais-podem-voltar-no-dia-2-de-julho-no-municipio-do-rio
TV SEPE audiência pública


TV SEPE


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