Será o fim do mundo?

Pela primeira vez na história há um BOE (Blue Ocean Event) previsto para este ano. Para cientistas do mundo inteiro essa ideia causa pânico e desespero. Isso significa que o gelo do Ártico deverá ter menos de 1 mi de Km² ainda em 2020. O mundo tal qual o conhecemos pode estar bem perto de seu fim.

Mas por que todo esse alarde e medo? É que as geleiras dos dois pólos (norte e sul) são fundamentais para a manutenção e dissipação de calor do planeta. Graças a elas, os oceanos e a atmosfera possuem correntezas (espécies de rios) que transportam calor das regiões mais quentes do hemisfério sul para as áreas mais frias do hemisfério norte. O resultado são as temperaturas equilibradas que temos em nosso planeta.

Com o fim do gelo no hemisfério norte (menos de 1 mi de Km² representa muito pouco gelo) as correntes oceânicas irão mudar e a troposfera (região da atmosfera em que está o ar que respiramos) irá se expandir. O calor se concentrará no hemisfério sul e o frio, no hemisfério norte. Além disso, o polo norte deixará de ser branco para se tornar azul escuro por uma boa parte do ano ou até mesmo o ano inteiro. Isso significa que o planeta refletirá menos luz e consequentemente menos calor para o espaço. Sem essa reflexão, a temperatura do planeta poderá aumentar entre 4º a 7º. O último evento desta magnitude aconteceu há 252 milhões de anos e acarretou o fim de 95% dos seres vivos (extinção do permiano-triássico).

Caso o BOE se confirmar para este ano, há também uma grande probabilidade que as safras de alimento sejam insuficientes para alimentar 6 bilhões de pessoas (estimativa da população mundial). O ativista do clima Kris Van Steenbergen publicou em seu twitter que as chances de BOE são de 20% ainda em julho, 60% até agosto e 100% até setembro.

Na próxima segunda (6), Renato Cinco receberá os pesquisadores Deborah Danowski e Eduardo Sá Barreto na Quarentena Ecossocialista e Libertária. O tema do programa “Será o fim do mundo?” capta a ansiedade do momento. O programa é ao vivo e vai ao ar às 10h30 da manhã, com transmissão na página do facebook Renato Cinco. O vereador do PSOL afirmou sobre as mudanças climáticas: “gostaria muito que estivéssemos errados, mas infelizmente temo que não.”

A principal causa do BOE é o sistema capitalista e a lógica do crescimento econômico constante. As emissões de poluentes no mar e no ar levaram ao aumento da temperatura e ao degelo Ártico. Ou bem superamos o sistema do capital, ou o capitalismo extinguirá a humanidade.O ecossocialismo não é só uma escolha, é a nossa única opção.

Fontes:
ScientistsWarning: https://www.scientistswarning.org/2020/06/04/blue-ocean-event/
https://twitter.com/KrVaSt/status/1278236742127058945?s=20

Negacionismo Climático

Os debates da Quarentena Ecossocialista e Libertária continuam e na próxima quarta feira, 8 de julho, o bate-papo será com a pesquisadora Alyne Costa, que vai tratar do negacionismo climático. A de quarta será às 16 horas, com transmissão ao vivo no facebook Renato Cinco.

Diversas culturas previram finais do mundo. Ele foi chamado de Ragnarok entre os vikings e Apocalipse pelos cristãos. Já para os hindus, tudo acabará com a espada de Kalki, enquanto que os persas acreditavam que o fim viria com o profeta Shaosyant.Os muçulmanos também crêem que A Hora chegará por um profeta (na verdade um falso profeta): Masih-Al-Dajjal. A ortodoxia judaica prevê outro final dos tempos: para estes, como Jeová criou o mundo em 6 dias e descansou no sétimo, a humanidade teria 6 mil anos de existência e se extinguiria no sétimo milênio.

Além dos finais míticos, muitas mobilizações de crenças fatalistas se seguiram no decorrer da História. No ano mil, um pânico tomou conta da população cristã que acreditou que o fim do milênio traria o Apocalipse. Recentemente, tivemos o bug do milênio na virada de ano de 1999 para 2000. Os recursos mobilizados para ações de emergência (que seriam postas em prática se o bug tivesse acontecido) equivaleria aos gastos com alimentação no mundo inteiro por dez anos.

Talvez essa excessiva exposição a possibilidade de final do mundo tenha anestesiado a população mundial e brasileira. O fato é que grande parte das políticas públicas têm adotado o comportamento irracional de negar as mudanças climáticas. No último ano, um relatório assinado por 21 mil cientistas do mundo inteiro chama a atenção para as sérias consequências que advirão das mudanças do clima e alerta que essas mudanças já começaram.

Embora a humanidade (por ser uma espécie recente) não tenha vivido eventos de extinção em massa, eles já aconteceram pelo menos 5 vezes no planeta: duas vezes na Era Paleozóica e três na Mesozóica. A primeira – a 445 mi de anos – extinguiu com 60 a 70% dos seres vivos pluricelulares; a segunda – entre 360 a 375 mi de anos – levou ao fim de 75% das espécies; a terceira – a 252 mi de anos – foi a mais intensa exterminando 95% dos animais e vegetais de mar e terra; as duas últimas foram há 200mi e 66 mi de anos exterminando, respectivamente, com 70-80% e 75% dos seres existente (a última é a mais famosa e terminou com a era dos dinossauros).

O negacionismo climático não é razoável e não seria inédita a extinção em massa que está sendo prevista. A grande novidade é que esta será, provavelmente, a primeira causada por uma espécie animal, no caso, os seres humanos, já que aquilo que tem causado as mudanças climáticas é o capitalismo e sua essência de crescimento econômico permanente.

A superação do capitalismo ganhou uma data limite. Ou fazemos isso logo ou não haverá vida num curto período de tempo.

Fontes:
https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/01/terra-passou-por-mais-extincoes-em-massa-do-que-imaginavamos
http://ufrr.br/lapa/index.php?option=com_content&view=article&id=%20107
https://istoe.com.br/as-principais-extincoes-em-massa-na-terra-2/
https://super.abril.com.br/historia/europa-ano-1000/