Prefeitura brinca com a vida de crianças

O prefeito Crivella anunciou, na tarde da última sexta (26), que iria facultar o retorno às aulas de modo voluntário para as escolas da rede privada a partir de 15 de julho e que a rede pública retornaria às salas no dia 1º de agosto. A declaração do prefeito causou desespero entre pais, alunos e profissionais de educação da Cidade e desmentiu a declaração da secretária municipal Talma Romero Suane na audiência pública do dia 22 de junho.

Detentor da maior rede de estudantes da América Latina, o município do Rio reúne diariamente cerca de 700 mil pessoas. Praticamente um décimo da população carioca. Aglutinar este contingente no auge da pandemia da Covid-19 é considerado por muitos como crime de genocídio, como afirmou a pesquisadora da UNIRIO professora Kátia Schaeffer, na plenária virtual do Sinpro (Sindicato dos professores do Rio de Janeiro), no dia 13 de junho.

O Sinpro e o SEPE (Sindicato de Estadual de Profissionais Ensino) chamaram assembleias. Uma greve pela vida de profissionais e estudantes contaria com o apoio de coletivo de pais e responsáveis, como o Movem (Movimento de Pais, Mães e Responsáveis da Escola Pública Municipal Carioca).

Na Câmara Municipal, o Grupo de Trabalho da Educação em Defesa da Vida – que conta com a participação do mandato de Renato Cinco – fez uma reunião emergencial para definir medidas a serem tomadas. Na segunda-feira, a Fiocruz publicou um documento alertando para os riscos envolvidos no retorno prematuro às aulas proposto pela prefeitura.

Em sessão virtual da Câmara, Renato Cinco destacou que “é necessário que o prefeito Crivella e seus secretários atuem junto às instituições científicas de forma permanente.” O que evidentemente não tem acontecido.

Diante da rápida resposta da sociedade civil organizada, o prefeito Crivella voltou atrás na segunda-feira (29) e retirou a proposta. Ele avisou que anunciaria uma nova data para ambos retornos no dia 2 de julho, mas até o fechamento desta matéria isso não aconteceu.

Qualquer anúncio de volta às aulas antes do índice de contágio da Covid-19 chegar a 0 ou de vacinarmos em massa as crianças é absurdo. A OMS destacou que há uma vacina na terceira fase de testes, desenvolvida pela Universidade de Oxford com participação brasileira. Se os testes derem certo, é possível que o Brasil comece a produzi-la em dezembro. Toda vida importa. Crianças não podem ser transformadas em instrumentos de morte.

Fontes:
https://www.facebook.com/renatocinco/videos/268636667700383/
https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/07/02/oms-vacina-testada-no-brasil-e-a-mais-avancada-em-pesquisas.htm
https://www.metropoles.com/saude/oms-vacina-contra-covid-19-em-testes-no-brasil-e-mais-avancada-do-mundo
https://www.youtube.com/watch?v=QEXr_X3PC5Q