Comitê Popular de crise lança boletim semanal

A situação do Rio de Janeiro durante a pandemia da Covid-19 tem causado desespero nas entidades da sociedade civil. Diante desta situação movimentos sociais da cidade do Rio de Janeiro se organizaram com as entidades de pesquisa e produção científica e criaram o Comitê Popular de Crise (CPC).

Nesta segunda feira (6 de julho) o CPC lançou seu primeiro boletim. A ideia é manter a população informada para que possa tomar as medidas corretas de prevenção a vida, já que os governos municipais, federais e estaduais estão apostando na morte em massa para gerar imunidade de rebanho na população. Leia o manifesto, saiba mais sobre a organização do Comitê e faça parte: https://bit.ly/CPCrio

Segue abaixo uma cópia do primeiro boletim:

1º BOLETIM POPULAR EM DEFESA DA VIDA
Comitê Popular de Crise RJ

Cidade do Rio de Janeiro
27ª Semana epidemiológica (28/06 a 04/07)

CASOS ACUMULADOS: 60.033 (+4.747 casos na última semana).

⬆️ TAXA DE INCIDÊNCIA: 893,49 por 100 mil habitantes (+70,65 na última semana).

✝️ ÓBITOS ACUMULADOS: 6.869 (+ 503 óbitos na última semana).

⬆️ TAXA DE MORTALIDADE: 102,23 por 100 mil habitantes (+7,48 na última semana).

↔️ TAXA DE LETALIDADE: 11,44% (-0,07p.p em comparação com a semana passada).

⬇️ TAXA DE CONTÁGIO: essa semana o Covidímetro da UFRJ (que abarca todo o Estado do Rio de Janeiro) registrou uma taxa de contagio de 1,33. A taxa diminuiu 0,1 em relação à semana passada (1,43). A Fiocruz recomenda um valor inferior a 1,0 durante uma semana como critério para adoção de medidas de flexibilização do isolamento social, métrica que vem sendo adotada por diversos países. Mas Bolsonaro, Witzel e Crivella ignoram a ciência e colocam a vida dos cariocas em risco.

‍♂️ O ESC NDALO DA SUBNOTIFICAÇÃO: Com base no modelo de estimativa de subnotificações elaborado pela Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, é possível estimar que hoje a cidade do Rio tenha cerca de 715,552 casos (10.92 casos não notificados para cada caso notificado, ou 1091.93% de subnotificação).

ENFRENTANDO A PANDEMIA ÀS CEGAS: A falta de testes massivos, o atraso nos registros, a pouca transparência e a baixa qualidade dos dados impedem uma visão mais precisa da situação da pandemia. Desde o início da pandemia, o Rio está enfrentando a crise no escuro.

OCUPAÇÃO DA REDE HOSPITALAR DA CIDADE: Os dados indicam uma tendência de queda. No último sábado (04/07), 176 pessoas se encontravam internadas nas UTI da Rede Municipal (-28 em comparação com o sábado anterior) e 464 pessoas se encontravam internadas nas UTI da Rede SUS (-57 em comparação com o sábado anterior).

5 BAIRROS COM MAIS CASOS ACUMULADOS: Copacabana (2.630), Campo Grande (2.332), Barra da Tijuca (2.301), Tijuca (2.279), Bangu (1.630).

⚰ 5 BAIRROS COM MAIS ÓBITOS ACUMULADOS: Campo Grande (334), Bangu (315), Realengo (253), Copacabana (249), Santa Cruz (200).

◾ CENTRO, ZONA SUL, GRANDE TIJUCA, BARRA: A região que já foi o epicentro de casos no início da epidemia na cidade, hoje já não é mais o principal foco dos problemas. Isso pode ser explicado pela melhores condições de vida e a maior capacidade de aderir à quarentena com dignidade. Porém, é preciso ter atenção sobre as favelas da região, uma vez que os dados podem mascarar eventuais surtos localizados.

◾ ZONA NORTE (exceto Grande Tijuca): A região segue com o maior número de casos confirmados em absoluto, chegando a marca de 19.143 casos em 04/07. Além de ser a região que concentra a maior parte dos cariocas, a grande quantidade de famílias de baixa renda, a dificuldade de acesso às unidades de saúde e a má qualidade dos serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto dificultam o controle da epidemia.

◾ GRANDE JACAREPAGUÁ: A região da Grande Jacarepaguá segue em ritmo de crescimento moderado dos casos.

◾ ZONA OESTE (exceto Grande Jacarépagua e Barra da Tijuca):
As características socioeconômicas da região são fundamentais para a compreensão da pandemia. Trata-se da área formalizada com menor renda na cidade, marcada por problemas socioeconômicos muitas vezes similares ou mais graves que os observados em favelas de outras regiões. A dificuldade de aderir à quarentena com dignidade, a dependência de meios de transporte saturados (Supervia/BRTs) e o fato de muitas pessoas terem que atravessar a cidade para trabalhar podem explicar porque a região acumula alguns dos piores indicadores da cidade, com uma taxa de letalidade de 16,86% (contra 11,44% na cidade). Embora Campo Grande seja o bairro que concentre o maior número absoluto de óbitos (334), o impacto maior se dá sobre os bairros de Bangu e Realengo, que possuem população menor.

◾ FAVELAS DELIMITADAS COMO BAIRROS (Mangueira, Vidigal, Rocinha, Maré, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Cidade de Deus): Embora oficialmente as favelas listadas acumulem “apenas” 1.451 casos, o número de óbitos nelas registrados é, oficialmente, de 261, o que resulta em uma taxa de letalidade de 17,99% (a maior dentre as regiões analisadas). No caso das favelas vale um destaque especial para o Complexo da Maré, que registra o maior número de casos (384) e óbitos (81) dentre elas, resultando em uma taxa de letalidade de 21,09%, muito superior à média geral da cidade (11,44%).

⚡ BREQUE DOS APP | No dia 01/07 os entregadores de aplicativos fizeram uma greve histórica. A próxima paralisação já está marcada para o sábado 25/07 e reunirá motoboys, motoristas de Uber e entregadores de aplicativo. Vamos juntos!

CHEGA DE OPERAÇÕES POLICIAIS NAS FAVELAS | No dia 06/07 o STF analisou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635 feita por entidades de defesa dos direitos humanos e determinou que não é mais permitido realizar operações policiais em favelas durante a epidemia. O levantamento realizado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF) em parceria com o datalab Fogo Cruzado-RJ, demonstrou que no período de 5 a 19 de junho de 2020, período em vigência da medida cautelar, houve uma redução de 68,3% das operações policiais e de 75,5% do número de óbitos decorrentes de operações policiais em relação ao mesmo período dos anos anteriores. O relatório completo encontra-se em: https://www.reflexpandemia.org/texto-39 .

⛔ WITZEL FINGE QUE NÃO É COM ELE | Porém, o governador tem ignorado a decisão liminar do STF e o Estado do Rio continua tendo operações policiais nas favelas.

EM DEFESA DAS FAVELAS | Essa semana a Alerj aprovou o Programa de Atendimento e Orientação à COVID-19 nas favelas e periferias, de autoria da Deputada Renata Souza (PSOL). Agora precisamos pressionar o Witzel para ele sancionar o projeto e transformá-lo em lei!

MAIS DE 60, PARDO E COMORBIDADES | Dados do Ministério da Saúde apontam ser esse o perfil dos mais atingidos pela doença, tanto em termos de internações quanto de óbitos.

ESTABILIDADE | Curva de casos e óbitos tem oscilado entre crescer de forma estável e crescer de forma desacelerada.

↪️ OU SEJA | A pandemia continua se espalhando e fazendo vítimas, mas num ritmo um pouco mais lento.

SÓ QUE… | O índice que mede a velocidade de contágio continua alto. Esse índice mostra para quantas pessoas em média uma pessoa infectada transmite o vírus.

PRIORIDADES | Se todo esforço para retomada de atividades estivesse sendo feito para prolongar isolamento, Brasil poderia superar mais rápido a epidemia. E poupar vidas.

MÁSCARAS | Apesar de todos os especialistas defenderem que o uso de máscaras é decisivo para o enfrentamento à pandemia, Bolsonaro vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras no comércio, indústria, instituições de ensino, templos religiosos, presídios e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas. Não podemos cair nessa!

CLOROQUINA | Medicamento, que teve produção aumentada no Brasil por ordem de Bolsonaro, foi excluído de vez da lista da OMS por não ser efetivo na redução de mortalidade de pacientes.

VACINA | Brasil anuncia parceria entre a Fiocruz, a universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZenaca para o desenvolvimento de 100 milhões de vacinas. Acordo prevê transferência de tecnologia para que a entidade brasileira tenha autonomia em todas as etapas de produção. Vacina ainda se encontra em fase de testes.

PLANOS DE SAÚDE | No dia 29/07 a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu os testes de COVID-19 no rol de procedimentos obrigatórios a serem atendidos por planos de saúde, sem cobranças extras.

E AÍ, CRIVELLA? | Porque a Prefeitura não faz o mesmo e garante a testagem gratuita nas unidades de saúde pública?

99% DE IRREGULARIDADE | Controladoria-Geral do Estado considerou suspeitos quase todos os contratos da Secretaria de Saúde do Witzel durante pandemia.

R$ 14 MILHÕES SEM TRANSPARÊNCIA | Crivella demorou três meses pra dar publicidade à compra de dezenas de tomógrafos… já inaugurados! Urgência é uma coisa. Comunicar depois da inauguração é outra.

✏️ NA ITÁLIA, ESCOLAS SÓ EM SETEMBRO | Novos casos no país caem de forma sustentada desde abril, e ,ainda assim, o governo anunciou retorno apenas em setembro.

NÃO BASTA REABRIR | Medida prevê ainda investimento de 1 bilhão de euros (cerca de R$ 6 bilhões) para reformar escolas, comprar produtos de limpeza e proteção, além de investir no treinamento de educadores.

JÁ NO BRASIL… | Governantes em todo o país sinalizam volta às aulas antes de queda da curva, e sem avaliação sobre os impactos da reabertura.

E NO RIO | A volta às aulas em agosto sem qualquer planejamento e condições sanitárias pode expor quase 1 milhão de cariocas ao contágio.

⚠️ A FIOCRUZ, ALERTA QUE NÃO É HORA DE VOLTAR ÀS AULAS | Instituição referência em saúde pública divulgou documento contra a volta das aulas na cidade. Pra isso acontecer é preciso controlar a transmissão da doença, desafogar o sistema de saúde e garantir medidas de monitoramento e controle. Escola é lugar de vida. A pressa pode ser fatal.

⚽ SEGUE O JOGO? | Crivella anunciou que jogos de futebol terão público a partir de 10 de julho. Após ser criticado por especialistas, voltou atrás. Na Europa, a bola só rolou depois de 60 dias do pico da pandemia, em média. E lá ainda não há qualquer previsão para jogos com torcida.

☠ CONTRA A CIÊNCIA | Especialistas criticaram medidas de reabertura de Crivella. Segundo estudo da UFRJ, a taxa de contágio vem se elevando nas últimas semanas. De mesma forma, relatório publicado pela UERJ alerta para o risco de aumento do número de óbitos e de casos da doença com um relaxamento precoce e descoordenado das atividades.

MAIORIA É CONTRA A REABERTURA | 52% da população acredita que governadores e prefeitos agem mal ao reabrir comércio, indica pesquisa do Datafolha. Duas a cada três pessoas acham que a pandemia está piorando no país.

NEGACIONISMO PODE AGRAVAR A PANDEMIA | Preocupação vem da Organização das Nações Unidas, em discurso da Alta Comissária de Direitos Humanos nesta terça-feira, citando a situação no Brasil.

ENTRE ASPAS | “Estou preocupada que as declarações que negam a realidade do contágio viral, e a crescente polarização em questões fundamentais, possa intensificar a gravidade da pandemia ao minar esforços para conter a disseminação e fortalecer os sistemas de saúde”, disse a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet.

MUNDO | Total de contaminados ultrapassa 10 milhões de pessoas. Já são mais de 500 mil vítimas fatais da doença em todo o planeta – mais de 10% delas, aqui no Brasil.

RECORDE | No último sábado o número de registros diários da doença chegou a 212.326, o mais alto, segundo a OMS.

1 EM 4 MORTES | A cada 4 mortes por Covid-19 nas Américas, 1 é em solo brasileiro, segundo a OMS. Ou seja, país tem 25% de todas as perdas registradas no continente.

1 MILHÃO E MEIO | Um milhão e meio de pessoas contaminadas no Brasil. 64.265 mortes. Metade das capitais com mais de 80% das UTIs ocupadas. Isolamento social sucumbindo a pressão de empresários. Governadores e prefeitos de olho na agenda eleitoral. Cadeira vazia no Ministério da Saúde. Um genocida com a faixa no peito.

GENOCÍDIO INDÍGENA | Dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira mostram avanço alarmante da pandemia: são 92 povos atingidos, com 7.379 casos e 358 óbitos apenas nesta região.

120 MIL CASOS, 10 MIL ÓBITOS E MUITAS INCERTEZAS | Estado do Rio ultrapassa marcas em meio a incertezas sobre avanço da pandemia. Secretário de Saúde assumiu há 13 dias e até hoje não deu entrevista, não fez pronunciamento e nem anunciou qualquer medida.

60 MIL NA CIDADE | Com os 585 casos registrados no último sábado, cidade do Rio chegou a 60.033 registros.

⛑️ DEVASTADOR | Levantamento do jornal O Globo mostrou que maio bateu recorde histórico de mortes na cidade, superando em 60% marca anterior, que era de junho de 2016.

SEGUNDA MAIOR DO MUNDO | Se fosse um país, taxa de mortalidade por milhão de habitante da cidade do Rio só perderia para a de San Marino. Para especialistas, a alta letalidade indica falta de testagem e muita subnotificação.

❤ SEJA SOLIDÁRIO | A plataforma Onde Tem Solidariedade apresenta um mapa das iniciativas de solidariedade da cidade para conectar quem pode ajudar com quem mais precisa de apoio nesse momento. Acesse, participe e ajude a divulgar as iniciativas: https://ondetemsolidariedade.com .

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Leia também:
http://facasuamascara.com.br/2020/06/26/comite-popular-de-crise-na-cidade-do-rio/