Aula só com vacina

“14 aviões da chapecoense caindo por dia”. Com essa declaração, o vereador Renato Cinco iniciou seu discurso da última terça (21). A alusão ao acidente de 2016, uma tragédia que levou à morte 75 pessoas, serviu para dimensionar o impacto da pandemia de coronavírus no Brasil. São 14 tragédias como aquela acontecendo todos os dias desde o começo da Covid-19.

A maior parte dessas mortes era evitável. Para ter uma noção melhor disso, basta comparar com outros países da América Latina: Cuba, a ilha caribenha que Bolsonaro gosta de atacar, tem pouco mais de 11 milhões de habitantes e teve cerca de 80 óbitos; a cidade do Rio de Janeiro, com pouco mais de 7 milhões de habitantes, tem mais de 7 mil mortos. A desproporção serve para demonstrar o grau de desleixo com a vida humana por parte do nosso poder público.

A maior preocupação da gestão da cidade, nesse momento, deveria ser garantir aos mais vulneráveis a possibilidade de isolamento social. Isso poderia ter sido alcançado se o prefeito tivesse distribuído cestas básicas e cartões alimentação para os estudantes da rede desde o início, e pago a renda básica carioca conforme aprovado na Câmara Municipal.

Ao invés disso, Crivella quer reabrir as escolas. O caso da educação infantil, por exemplo, é ainda mais grave, pois nem mesmo os países de maior controle da Covid-19 cogitam reabrir este segmento. Como o prefeito pode anunciar isso numa cidade que já aglutina mais de 7 mil mortos?

Ainda que houvesse controle da doença na cidade, as escolas não estão adaptadas e, portanto, não poderiam receber os alunos. Não há segurança sanitária. Agora é hora de reajustar todas as instalações educacionais e repensar as rotinas escolares; qualquer trabalho da prefeitura deveria estar voltado para descobrir as mudanças necessárias aos prédios escolares.

Não é possível pensar em retorno às aulas sem vacina nem taxa zero de transmissão. Forçar o retorno às aulas nesse momento significa implementar uma política genocida.

Documento da Fiocruz