Profissionais de educação da escola municipal decidem por greve pela vida

Na tarde de quinta-feira (30), os profissionais da educação das escolas municipais da cidade do Rio decidiram por greve em defesa do bem mais básico: a vida. Professores e demais funcionários entrarão em greve caso sejam convocados para o retorno das atividades escolares presenciais.

A administração de Crivella tem implementado uma política genocida na gestão da crise pandêmica. A capital já atingiu a triste marca de mais de 8 mil mortes de Covid-19. O Paraguai, que tem 50% a mais de habitantes que o Rio, teve 47 mortes. Podemos inferir que as mortes são consequências da má gestão da crise.

A forma como a Secretaria Municipal de Educação (SME) lidou com a alimentação de seus estudantes também ajudou a criar este colapso. No começo do isolamento, ela quis abrir escolas apenas para merenda, colocando em grave risco de vida tanto os profissionais quanto as crianças. Foi preciso a intervenção da Justiça motivada pelo sindicato para proibir essa abertura.

A rede escolar do município tem pelo menos 642 mil crianças. É a maior da América Latina e corresponde a um décimo da população da cidade. A prefeitura tinha o endereço de todas essas crianças e verba para alimentá-las (já separada para a merenda escolar). Bastava transformá-las em cestas básicas e distribuí-las para os estudantes. Com um pequeno acréscimo, poderia alimentar também o restante da família. Uma ação simples que atingiria no mínimo 20% da população e com um pouco mais de empenho até 50%. Esse era um modo de possibilitar acesso ao isolamento social e poupar vidas.

Crivella, porém, foi na contramão dessa linha e deixou as crianças sem acesso à comida. Ele distribuiu poucos cartões alimentação de R$ 100,00 com critérios confusos e recargas aleatórias. Só começou a oferecer cesta básica no terceiro mês de forma ainda mais atabalhoada. No fim, a prefeitura não só não alimentou direito os alunos como ainda expôs profissionais e responsáveis a risco de contágio. Para se ter uma ideia do tamanho da desassistência, até agora a prefeitura só realizou 14% do executado no ano passado com merenda (R$ 25,9 milhões de R$ 188,6 milhões).

A decisão do prefeito pela flexibilização do isolamento foi ainda mais temerosa. Com 50 mortes ao dia (o equivalente a todas mortes do Paraguai) o prefeito flexibilizou o isolamento e agora tenciona pela volta das escolas. No dia 22 de junho, em audiência pública, a secretária municipal de Educação Talma Suane se comprometeu a convidar a Fiocruz e outras entidades a participar do GT de retorno às aulas da prefeitura. A função dele seria avaliar as adaptações estruturais necessárias à rede para quando fosse possível o retorno. A Fiocruz não foi chamada e a SME chegou com um projeto de retorno pronto ignorando a opinião técnica do GT.

Com um GT inoperante, sem a participação da Fiocruz e com a falta de outras entidades, Crivella anunciou o retorno das equipes gestoras no dia 3 de agosto e a abertura de 168 escolas a partir do dia 13 para alimentação – desrespeitando a liminar judicial. Essa última ação do prefeito pode aglutinar 20 mil crianças e merendeiras colocando em risco suas vidas.

Por todas essas questões a categoria aprovou greve em defesa da vida. Renato Cinco saudou a iniciativa de toda categoria. “Não vamos permitir que o prefeito transforme nossas escolas em abatedouros”, concluiu o vereador.