Câmara do Rio adere à política genocida da prefeitura

“Sou totalmente contrário à reabertura da Câmara Municipal, acho um crime a sessão mista!”. A fala do vereador Renato Cinco na sessão extraordinária do dia 4 de agosto ilustra o pensamento da bancada do PSOL sobre a decisão de realizar sessões mistas do plenário.

Desde o início da crise sanitária da Covid-19, as sessões passaram a ser virtuais e o Palácio Pedro Ernesto foi fechado. A atuação do legislativo da cidade demonstrou com essa atitude zelo pela vida de servidores, de empregados terceirizados, de vereadores e da população da cidade.

A gestão de Crivella, contudo, tem aplicado a política genocida do governo federal no Rio. Mesmo com alto índice de transmissão, o prefeito flexibilizou o isolamento social. Na última segunda-feira (3), o prefeito decretou a reabertura de escolas privadas (medida anulada pela justiça dois dias depois). Agora ele tenta reabrir as escolas públicas sem o embasamento de nenhuma entidade de ciência.

A decisão do prefeito de expor as crianças ao risco da pandemia chocou os vereadores e foi intensamente questionada nas sessões da semana , mas – contraditoriamente – a Câmara Municipal decidiu reabrir o palácio e retomar as sessões de modo misto (os vereadores que quiserem ir presencialmente, podem ir e os que não quiserem participam de modo virtual).

O Mandato Ecossocialista e Libertário Renato Cinco indignou-se com a decisão da Câmara que por um lado facultou aos vereadores o risco a vida, mas por outro impôs aos trabalhadores da Câmara a difícil escolha entre abandonar a vida ou o emprego. Além disso, o retorno ao funcionamento do prédio tornou a Câmara Municipal cúmplice da política genocida dos governos federal e municipal.

O vereador Renato Cinco não permitiu a nenhum de seus assessores o retorno ao trabalho presencial e disse que se for necessário irá se expor sozinho ao risco de morte. Concluiu seu discurso de terça-feira declarando: “estou profundamente chocado com a coragem desta Câmara Municipal de abraçar abertamente a política genocida do prefeito Crivella”.