Letalidade policial cai 73% com suspensão de operações policiais no RJ

Recentemente tivemos a importante notícia da diminuição de diversos crimes no Estado do Rio de Janeiro. Os números mostram que a suspensão das operações policiais nas favelas durante a pandemia, ordenada pelo STF no início de junho, resultou na queda de 73% das mortes por policiais, se comparado com o mês anterior. Isso mesmo, menos 73% de cidadãos morreram por tiros oriundos de armas de policiais no período!

E, contrariando a lógica de que a repressão violenta é eficaz para o controle da criminalidade, também houve no período a diminuição dos números de diversos crimes, como homicídio doloso, crimes violentos letais e intencionais e roubo de carga. Os tiroteios também diminuíram 36,2% na região metropolitana.

Na última terça-feira (4), a decisão de suspender as operações foi referendada por 5 ministros. Entretanto, as operações policiais não cessaram. Em descumprimento à decisão do STF, foram 8 operações na Baixada Fluminense no mês de junho, e nosso mandato tem recebido diversos relatos de operações na cidade do Rio, inclusive com veículos descaracterizados e mortes.

De acordo com o Mapa da Desigualdade de 2020, pessoas pretas e pardas são disparadamente as maiores vítimas de violência policial no Rio de Janeiro. Em cidades como Seropédica, Guapimirim, Petrópolis, Cachoeiras de Macacu e Rio Bonito, 100% dos mortos em 2019 eram negros. No Rio, o percentual é de 81%.

Mais do que nunca está provado que essa política de segurança pública baseada no enfrentamento e violência policial só serve para matar e silenciar os negros e pobres.

Que esse possa ser o primeiro passo para uma efetiva mudança na política de segurança pública do nosso estado, que tem sido nas últimas décadas local de genocídio para aquelas e aqueles que vivem em territórios de favelas e periferias, os mais afetados pela política de “guerra aos pobres” travestida de “guerra às drogas”.

Para que não tenhamos mais “João Pedros” assassinados em casa pelo Estado, basta de guerra aos pobres!