População repudia autódromo na Floresta do Camboatá durante audiência pública

A audiência pública para analisar o licenciamento ambiental do projeto de construção de um autódromo na Floresta do Camboatá, realizada de forma virtual na última quarta-feira (12), foi trágica em vários aspectos.

Primeiro pela insistência da prefeitura em realizar essa audiência virtual. A população que vive no entorno da Floresta, localizada entre Deodoro e Guadalupe, e sofre com acesso limitado à internet enfrentou muita dificuldade para expor sua posição. Para quem conta apenas com pacotes de telefonia móvel o acompanhamento ficou ainda mais limitado.

O início da audiência, às 19 horas, foi destinado a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA).

O documento elaborado por uma empresa de consultoria ambiental contratada pelo consórcio responsável pelo autódromo busca, em diversos momentos, diminuir a importância ecológica da Floresta e tenta de forma cínica mascarar o tamanho da destruição que esta obra pode causar.

Já era madrugada de quinta quando o microfone foi aberto para a participação popular. Cerca de 100 pessoas participaram remotamente e apenas duas se mostraram favoráveis à obra. Antes, o Ministério Público Estadual e o Federal afirmaram que o projeto é ilegal.

Ainda não foi decidido se este EIA-Rima cheio de afirmações tendenciosas para justificar a destruição de uma floresta será aprovado pelo INEA.

Nossa atuação

Seguimos na luta em defesa da preservação da natureza. Antes da pandemia, nosso mandato ajudou a coletar assinaturas contra a obra. Também realizamos debates sobre a questão e apresentamos dois projetos de lei (ainda em tramitação na Câmara) para impedir construções na área da Floresta.

O Projeto de Lei 632/2017 para tornar a região uma Área de Proteção Ambiental (APA) e o PL 1345/2019, que “cria o refúgio de vida silvestre da Floresta do Camboatá” e transforma a área em uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Ambos ainda estão em tramitação no parlamento carioca.