O Pânico como política

Nesta quinta-feira (20), aconteceu o lançamento do livro “O Pânico como política”. Organizado por Fábio Luis Barbosa dos Santos, Marco Antonio Perruso e Marinalva Oliveira, o livro contém 35 artigos de 41 autores de todo o Brasil como Plínio Sampaio Jr., Maria Orlanda Pinassi, Luciana Genro, Karen Santos, Rosi Messias, Ruy Braga, Pedro Fiori Arantes, Carmen Verônica dos Santos Castro, Renato Cinco, José Cláudio Souza Alves, Liliana Maiques, entre outros. O livro traz análises sobre o que chama de petismo tardio.

Durante o lançamento, Renato Cinco aproveitou para falar sobre o falido “combate” às drogas no Brasil. Ele escreveu com Daniel Monteiro o capítulo “A política de drogas e a guerra aos pobres nos governos do PT”. “A guerra às drogas é, na verdade, uma estratégia política de criminalização da pobreza”, lembrou.

Veja a participação do Cinco no lançamento do livro:

Boa notícia!

Até o final de agosto, você pode ganhar 30% de desconto na compra do livro. Basta digitar o código promocional panico. Pânico como política está disponível em:
https://www.mauad.com.br/index.php?route=product/product&product_id=33748

O livro por Paulo Arantes:

A presente coletânea é uma radiografia original deste interregno que estamos atravessando: como pode um partido morto dar régua e compasso a forças que sonham dar a volta por cima? Ao morto-vivo, os autores estão chamando de petismo tardio, parente do progressismo tardio, assombração numa América Latina neoextrativista exaurida, depois de seu eclipse. Para além dos balanços deficitários dos Anos Lula, trata-se de uma tentativa pioneira de identificação do novo consenso lulista, cristalizado em torno do trauma de 2016, redescrito pela máquina discursiva petista como o gatilho disparador de uma monstruosa regressão nacional. Encarnada pelo lulismo tardio, manifesta-se sobretudo numa restauração do imaginário progressista brasileiro, golpeado em 1964. Uma visão do perene confronto com os representantes do atraso, sempre em nome de alguma atualização imperativa da hora, acertar o passo com as forças produtivas, em suma. Daí o retorno de anacronismos, geralmente aos pares contrastantes, a descrever a luta recorrente entre dois Brasis antitéticos. É preciso esfregar bem os olhos: estão aí de volta novamente a civilização em luta com a barbárie, bem longe da visão inaugural de um Euclides da Cunha, ao ver como se demonstrava ao sertanejo retardatário “o brilho da civilização através das descargas”, sem falar nos Vivas à República na hora da degola. Não há inocentes nessa visita guiada. Há cálculo sob a poeira de tamanha encenação. Daí o recurso ao pânico, que dá título ao livro.