Anvisa vai regulamentar o uso medicinal da maconha

A incansável luta da família Fischer para que a pequena Anny possa ser beneficiada com o uso medicinal da maconha emocionou até alguns corações conservadores. Essa dedicação resultou em uma importante conquista para todos os brasileiros, que podem ser beneficiados no tratamento de várias doenças.

Em uma reunião na presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os pais da Anny receberam uma ótima notícia. A Anvisa vai elaborar um protocolo para regulamentar a importação do medicamento derivado de maconha para os casos de comprovada eficácia desse tipo de tratamento.

A agência também vai oficiar o Conselho Federal de Medicina com a nova orientação, para que os médicos possam prescrever o medicamento sem receio. Com a legislação vigente, um médico que receitar maconha ou qualquer derivado da cannabis pode ser acusado de tráfico de drogas.

Com essa medida, o Brasil começa a sair do fundo do poço proibicionista, que ignora algo muito bem documentado pela medicina antiga e moderna: o uso medicinal da maconha. Em 1961, a Convenção Única de Entorpecentes da ONU classificou a maconha na lista de drogas mais perigosas e sem nenhum valor medicinal. Mesmo com a limitação para realização de estudos, a comunidade científica conseguiu publicar pesquisas apontando o sucesso do tratamento com a maconha em doenças como câncer, Aids e glaucoma.

Nas doenças citadas acima, a maconha tem como principal função aliviar dores e desconfortos causados pela enfermidade. Para pacientes com câncer, seu uso contribui para amenizar as dores e as náuseas da quimioterapia. No caso da Aids, o efeito mais importante é o de estimular o apetite. No tratamento do glaucoma, o THC, princípio ativo da cannabis, ajuda a controlar a pressão intraocular.

Esta deve ser apenas a primeira ação de desmonte da legislação que criminaliza a maconha. Precisamos avançar para a conquista da legalização plena (do uso medicinal, recreativo, religioso e industrial).