Rodoviários voltam a parar o Rio

Na última segunda-feira (12), representantes do Ministério Público do Trabalho, da Rio Ônibus, do Sindicato dos Rodoviários e da categoria se reuniram para tentar fechar um novo acordo. A reunião não teve sucesso. Assim, após assembleia, os rodoviários decidiram mais uma vez paralisar suas atividades, agora por 48h.

Na terça (13) e na quarta-feira (14), os moradores do Rio não puderam contar com os ônibus nas ruas. Boa parte da frota permaneceu nas garagens, demonstrando a força do movimento.

Entre as reivindicações dos grevistas estão: o reajuste salarial de 40%; a correção do tíquete alimentação para 400 reais por mês; e o fim da dupla função (quando motorista exerce também o papel de cobrador).

Na tarde de terça-feira (13), a desembargadora Maria das Graças Paranhos, do Tribunal Regional do Trabalho, considerou a greve ilegal e determinou que 70% da frota de ônibus do Rio de Janeiro voltasse a circular, sob pena de multa diária de R$ 50 mil ao sindicato da categoria. Uma multa difícil de aplicar, já que o movimento é dissidente.

Depois de provocado pelos grevistas, o Ministério Público do Trabalho deve apurar as denúncias sobre uma possível fraude na assembleia que aprovou o acordo entre o sindicato e os empresários. O impasse parece estar longe do fim.

No início de fevereiro, o valor da passagem de ônibus no Rio de Janeiro subiu de R$ 2,75 para R$ 3,00. A paralisação demonstra que o reajuste não foi significativamente repassado aos trabalhadores. Além disso, este é o segundo movimento grevista, neste ano, que passa por cima de direções sindicais pelegas, como foi o caso dos garis. Infelizmente, a maioria dos sindicatos não representa mais suas bases, contando com direções ligadas aos governos e aos patrões.

O vereador Renato Cinco (PSOL) manifestou, em discurso no plenário da Câmara, apoio ao movimento.