Proibição do uso medicinal da maconha faz mais uma vítima

No último domingo (01) recebemos a triste notícia do falecimento do pequeno Gustavo Guedes, de um ano e quatro meses, que sofria com graves crises de epilepsia que poderiam ser aliviadas com o uso do canabidiol (CBD), que é extraído da maconha. A criança chegou a utilizar o CBD por cerca de dez dias. Antes disso, o remédio havia ficado retido na alfândega por 40 dias.

Os pacientes e familiares beneficiados pelo CBD poderiam ter saído da ilegalidade no dia 29 de maio, quando a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reuniu para debater a inclusão do CBD na lista de substâncias de controle especial (comercializadas com receita médica de duas vias).

Entretanto, a maioria do colegiado estava inclinada a manter o CBD na ilegalidade. O pedido de vista de um dos diretores foi o que evitou uma decisão negativa. A discussão foi adiada para uma sessão posterior, que deve ocorrer a partir do final de julho, em data ainda não definida pela Anvisa.

Uma reportagem da revista “Isto é” revelou que o Palácio do Planalto, de olho no voto conservador, deu ordem direta para que nada fosse alterado antes da eleição.

Infelizmente, três dias após esta reunião da Anvisa, Gustavo Guedes nos deixou sem poder ter direito a uma vida mais tranquila, com um medicamento que reduz as crises de epilepsia. O site Cannabis Esperança reúne dezenas de casos de pacientes que podem ser beneficiados pelo óleo canábico.

Em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco (PSOL) prestou solidariedade à família Guedes e criticou a burocracia da Anvisa no processo de legalização da importação do medicamento.