Debate lota salão nobre do IFCS

O salão nobre do IFCS ficou lotado para o debate “Junho de 2014: ainda sonhamos perigosamente?”, realizado na noite da última terça-feira (11). A mesa – mediada pelo vereador Renato Cinco (PSOL) – contou a presença de Vladimir Safatle (professor de filosofia da USP), Flavio Serafini (sociólogo da Fiocruz) e Francisco Bosco (colunista do jornal O Globo).

A discussão foi de alto nível, animando os presentes. Os componentes da mesa assinalaram que, após as jornadas de junho de 2013, nada voltou a ser como era antes. Os gritos contra o aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus se multiplicaram em dezenas de pautas, com categorias mobilizadas e, em alguns casos, ignorando acordos feitos por direções sindicais burocratizadas e pelegas.

“Na política não podemos esperar por décadas para fazer as reflexões necessárias sobre a conjuntura. Precisamos refletir sobre o significado das manifestações do ano passado. O 20 de junho foi a maior ato político da história do Brasil e a própria esquerda teve dificuldade para compreender quem estava nas ruas”, destacou Cinco.

De acordo com o professor Vladimir Safatle, as manifestações de junho deram um recado para as classes dirigentes sobre a forma de governar: “Nós precisamos demonstrar para a sociedade que governar não é dirigir. Governar é dar as condições para que as pessoas possam dirigir a si mesmas. Esse país não precisa de direção, mas de um poder que saiba olhar para o povo e dizer: vocês conhecem os problemas, as soluções e sabem o que deve ser feito”.

Vale lembrar que o professor Safatle voltará ao Rio na próxima segunda-feira (16), para o debate “Copa pra Quem? Por uma cidade de direitos”. O evento será realizado, às 18h, no plenário da Câmara de Vereadores. Na ocasião, será entregue a medalha Pedro Ernesto (a principal homenagem do parlamento carioca) para o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas.