PSOL aprova candidatura de Luciana Genro à Presidência da República

A Convenção Nacional do PSOL aprovou por unanimidade, na tarde do último domingo (22), a candidatura da ex-deputada federal Luciana Genro à Presidência da República. O professor da rede estadual de São Paulo Jorge Paz será o vice. A decisão foi tomada pelos 88 delegados presentes: 61 membros do Diretório Nacional e 27 representantes dos estados.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) fez a defesa da candidatura. “A candidatura de Luciana Genro dará visibilidade aos problemas invisíveis, à luta pelos Direitos Humanos, a necessária desmilitarização da polícia e o fim da guerra aos pobres. É uma oportunidade de ecoar as lutas das ruas”, apresentou o deputado carioca.

Luciana Genro apresentará uma plataforma sintonizada com as reivindicações populares, apresentadas nas jornadas de junho de 2013. “Nossa primeira medida no governo federal será enfrentar os interesses do 1% mais rico do Brasil, com uma Revolução Tributária que inverta a lógica que taxa os trabalhadores e beneficia as elites. Só será possível fazer essas mudanças com a mobilização do povo. Queremos um governo que dê voz as demandas das ruas”, disse Luciana.

A candidata defendeu uma auditoria na dívida pública do país, a exemplo da realizada pelo Equador. Ela disse que um dos pontos de sua campanha será “a recusa a aceitar que o Brasil continue pagando mais de 40% do seu orçamento em juros e amortização da dívida”. “Vamos seguir o exemplo do Equador, que mostrou que é possível e, após a auditoria, reduziu em 75% sua dívida”, destacou. De acordo com Luciana, a chapa pautará ainda outras discussões, como descriminalização do aborto e da maconha e direitos dos casais homoafetivos.

Em clima de unidade, a militância do partido foi destacada pela candidata à Presidência. “O PSOL é um partido que não recebe recursos de empreiteiras e de bancos, não terá o tempo de TV de outras candidaturas. Esses obstáculos do sistema eleitoral, enfrentaremos com a força da nossa militância e da nossa juventude, que vai pra rua por ideal” ressaltou.

A Convenção aprovou também as diretrizes gerais para a elaboração do programa de governo do partido.

Infelizmente, por uma estreita margem de três votos, foi revertida a decisão da Convenção Estadual do PSOL-RJ, que havia negado por ampla maioria a candidatura de Jeferson Barros para deputado federal. Diante de tal decisão, vários dirigentes e parlamentares do partido, entre eles o vereador Renato Cinco (PSOL), divulgaram a nota abaixo:

Rio de Janeiro, 24 de junho de 2014

Companheiro(a)s:

O nosso PSOL – partido ainda pequeno, mas com vocação de grandeza – tem no Rio de Janeiro uma de suas seções mais ativas e combativas. Nas lutas cotidianas e nas disputas eleitorais temos nos afirmado, a despeito de nossas fragilidades, como alternativa à degradada política dominante. Isso deriva de mediações equilibradas entre utopia e realidade. E sobretudo da ação de nossa generosa militância (sintetizada, nas campanhas, pelo lema que nos diferencia: “não recebo um real, estou na rua por ideal”).

Por isso, causa espanto e indignação a imposição, na Convenção Nacional, pela estreitíssima margem de três votos, de uma candidatura proporcional que foi inadmitida na Convenção Fluminense, após longo e qualificado debate, por nada menos que 86% dos votantes. Tal contraste soa como ofensa à democracia interna e desconsideração às instâncias decisórias de base. Não há matemática política que explique que 14% possam ser majoritários em sua vontade.

A candidatura em questão, de Jeferson Barros, está no contexto de um fenômeno mais geral: a inserção na política institucional pelo viés individual, particularista e carreirista, quando não de interesses escusos, sem a dimensão do público e sem o lastro de um histórico comprometido com a transformação social, com os princípios da organização popular consciente e da laicidade do Estado – vale dizer, da adesão sincera e integral aos Direitos Humanos, como o da diversidade de gênero e orientação afetiva e sexual. O ‘entrar para a política’ (como oportunismo destituído de fronteiras éticas e ideológicas) tão em voga também nos atinge, daí o cuidado com a composição de nossas nominatas, para que possamos, inclusive, proclamá-las de conjunto, como quase nenhum partido faz. A Carta-Compromisso dos candidato(a)s aprovada no Rio de Janeiro não pode ser letra morta.

Isso nada tem a ver com desconsideração e muito menos preconceito face ao fenômeno religioso popular, que devemos sim procurar entender e, do ponto de vista político da multidão de fiéis, disputar, na perspectiva não da ‘Teologia da Prosperidade’, eivada de êmulos do sistema capitalista, mas da ‘Libertação’, ecumênica, de respeito absoluto ao direito de crença e de não crença. Aliás, este é um saudável debate que o PSOL precisa realizar. Não nos faltam quadros para isso.

A obsessão por candidaturas sem afinidade com nosso ideário plural, fundado no socialismo a ser ressignificado e na liberdade a ser conquistada nas lutas emancipatórias, só trará problemas e incoerências na campanha que já se inicia, e retrocessos quanto ao que duramente conquistamos. Quem de fato se ‘converteu’ a uma nova postura, de rejeição ao sindicalismo pelego, ao fundamentalismo sectário e à ‘amizade’ acrítica com homofóbicos endinheirados, devia provar isso com humildade e continuada militância de base, e não fazer da filiação recente a mais um partido o trampolim para disputar eleição.

Manifestamos nosso inconformismo com esta imposição vertical, alheia à realidade do Rio de Janeiro e à decisões amplamente majoritárias, reafirmando nossa expectativa de que tal postura inconsequente venha a ser revista. É uma questão de Democracia e de Justiça!

ASSINAM: deputados Chico Alencar, Jean Wyllys e Marcelo Freixo, vereadores Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro, Renato Cinco (Rio), Paulo Eduardo Gomes, Renatinho, Henrique Vieira (Niterói) e Fernando Arcênio (Itaocara), prefeito Gelsimar Gonzaga (Itaocara) e membros da Executiva Estadual do RJ: Rogério Alimandro (presidente), Honório Oliveira, Renato Jefferson, Rosi Messias e Bruno Bimbi.