Leandro Konder, presente!

Faleceu ontem (12), aos 78 anos, Leandro Konder. Filho de Valério Konder (médico e militante comunista) e Yone Konder, Leandro nasceu em 1935, em Petrópolis. Aos 15 anos de idade, em 1950, entrou para a União da Juventude Comunista. Desde então, permaneceu ligado à atividade política.

Formou-se em direito, em 1958. Como advogado, trabalhou para sindicatos. Com o golpe civil-militar de 1964, foi perseguido, perdendo os empregos. Passou a viver, então, com o dinheiro obtido com revisões e traduções encomendadas pela editora Civilização Brasileira, de Ênio da Silveira.

Antes do golpe, já colaborava com algumas algumas publicações vinculadas ao PCB, particularmente com a revista “Estudos sociais”, fundada por Astrogildo Pereira. Foi, aliás, por meio desta publicação que teve contato com Carlos Nelson Coutinho, seu grande amigo e parceiro intelectual.

Em 1969, na esteira do AI 5, foi preso e torturado. Em 1972, partiu para o exílio na Alemanha. De volta ao Brasil, em 1978, foi dar aulas, primeiro no Bennett, depois na UFF e na PUC. Doutorou-se em filosofia, na UFRJ, em 1987.

Descontente com o PCB, rompe com o partido em 1982. Em 1989, entra no PT. Desencantado com o governo Lula, deixa o partido e funda, junto com outros dissidentes, o PSOL.

Intelectual de peso, publicou cerca de trinta livros. Foi um grande divulgador do marxismo, ajudando a formar inúmeras gerações de socialistas. Sua leitura do pensamento de Marx era crítica e aberta, capaz de dialogar com novos temas e avessa à qualquer dogmatismo. Além disso, foi um dos pioneiros na introdução dos pensamentos de Antônio Gramsci e Gyorgy Lukács no Brasil. Junto com Carlos Nelson, foi um dos grandes defensores da indissociável ligação do socialismo com a liberdade.

Portador da doença de Parkinson, diagnosticada em 1995, nunca perdeu o bom humor, a gentileza e a fé na humanidade. Sou morte representa uma significativa perda para o Brasil e, em especial, para a esquerda. Leandro Konder, presente!