A Maré vive e resiste!

No inicio de 2014, a ocupação militar do Complexo da Maré já custava 1,7 milhão de reais por dia. Mas o que toda essa mobilização e recursos trouxeram de melhoria para a qualidade de vida da comunidade e de seus moradores?

Hoje, os moradores relatam que continuam vivendo um cotidiano de medo, de violação de direitos, com tiroteios diários, sem saneamento básico ou transporte público de qualidade. Somente no último mês de fevereiro, são diversos casos de violência e abuso das forças de segurança contra os moradores da Maré.

Na madrugada do dia 12 de fevereiro, um caro com cinco amigos, que voltavam de um jogo de futebol, foi fuzilado por soldados da Força de Pacificação da Maré quando entrava na comunidade. Depois de serem revistados na entrada da comunidade, o veículo estava se deslocando em direção à casa de um dos passageiros quando começou a ser alvejado portiros. Vitor Borges, um dos passageiros, levou tiros na perna e no tórax, e teve a perna amputada. Adriano Bezerra, que guiava o veículo e foi ferido de raspão, chegou a ser
preso em flagrante pelos militares, mas conseguiu liberdade dias depois. Segundo Pablo Inácio, um dos passageiros do carro, o tratamento dos militares só mudou quando ele conseguiu se identificar como sargento da Aeronáutica.

No dia 21 de fevereiro, uma Kombi foi fuzilada. Segundo o relato dos passageiros, a van fazia transporte alternativo e o motorista não teria parado em uma blitz das Forças de Segurança. Que política de segurança é essa que justifica o fuzilamento de uma kombi com vários passageiros a bordo?

Na última segunda (23), uma justa manifestação foi convocada por moradores da Maré contra os abusos e o cotidiano de violência que estão submetidos. Mais uma vez, a Polícia Militar se mostrou despreparada para lidar com protestos, especialmente em uma comunidade. Tiros de munição letal foram disparados para dispersar as pessoas, que seguiam pela Linha Amarela. O mandato do vereador Renato Cinco (PSOL-RJ) acompanhou o ato. Além disso, Cinco fez um discurso, na tribuna da Câmara, repudiando a violência policial.

Que democracia é essa onde cidadãos tem suas casas arrombadas sem mandado judicial, suas esquinas vigiadas por soldados militares portando fuzis, são baleados enquanto voltam para suas casas em transportes precários, ao mesmo tempo em que faltam serviços públicos básicos como saneamento, educação e saúde, e mesmo assim não têm nem o direito de protestar contra isso tudo?

Veja também a nota do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio sobre a “Barbárie na Maré”: https://www.facebook.com/sindjor/posts/448653521950141