Liberdade para os cultivadores de maconha!

O ano de 2015 começou com um perverso endurecimento da repressão ao cultivo caseiro de maconha. Só no estado do Rio de Janeiro, foram quatro casos de cultivadores que foram parar na delegacia por um “crime” sem vítimas. Dois foram indiciados por tráfico de drogas e ainda estão presos.

No início de fevereiro, o ativista Flávio Dilan, o Cabelo, foi preso por plantar 39 pés maconha em casa, em Petrópolis (RJ). Cabelo é ativista da legalização de longa data. Além dele, outros cultivadores também foram presos na mesma operação policial. No dia 22, o músico Mc Cert, da ConeCrewDiretoria, foi preso por cultivar quatro pés de maconha em Miguel Pereira, no interior do estado.

Em discurso no plenário da Câmara, o vereador Renato Cinco criticou a prisão dos cultivadores, acusados de tráfico pela polícia mesmo sem nenhuma prova da prática de comércio ilícito.

Além de ativista da legalização, Cabelo utiliza maconha de forma medicinal no tratamento de epilepsia. Cert nunca escondeu que é usuário de maconha e pode ser visto fumando em vídeos de shows da ConeCrewDiretoria e durante entrevistas. Amigos do músico vão promover uma manifestação pela liberdade de Cert nesta sexta-feira (27), às 17h, na passarela da Barra. Confirme presença no Facebook.

Infelizmente, os casos Cabelo e Cert representam uma pequena parte de outros incontáveis brasileiros que estão presos por portar drogas ilegais (e são acusados de tráfico) ou vender algo para alguém que queria comprar. Uma pesquisa feita em 2009 por Luciana Boiteux e Ela Wiecko aponta que, dos condenados por tráfico de drogas no Brasil, 66% são réus primários; 91% foram presos em flagrante; 60% estavam sozinhos quando foram presos; e apenas 14% portavam armas no momento do flagrante e da prisão. Assim, não se sustenta a tese do “traficante padrão” ser um sujeito violento e membro de algum organização criminosa.

A necessidade de superar a legislação proibicionista das drogas é urgente. Não existem argumentos que sustentem a proibição como algo necessário para “proteger a vida e as famílias”. A guerra às drogas é responsável direta pelo derramamento de sangue de traficantes, usuários, policiais e inocentes sem relação com essa questão. Tudo isso sem produzir impacto na estrutura da produção e venda de drogas.

A legalização é uma verdadeira ação de paz e em defesa da vida!