A história não contada dos 450 anos do Rio de Janeiro

Na comemoração organizada pela prefeitura para celebrar os 450 anos do Rio de Janeiro, o alcade Eduardo Paes recebeu a chave da cidade das mãos de um ator que fazia o papel de Estácio de Sá, o “nosso fundador”.

Infelizmente, a festa oficial apresentou apenas o lado do colonizador, ignorando o massacre dos povos indígenas que habitavam a região antes da chegada dos portugueses. Neste contexto, nosso mandato entra na disputa política para contar o outro lado da história. Vamos homenagear com a medalha Pedro Ernesto o cacique Aimberê.

Filho do cacique Kairuçu, dos tupinambás da Guanabara, Aimberê foi um dos principais lideres da Confederação Tamuya (do tupi, avô, antepassado, mais velho), uma revolta indígena que aconteceu entre 1554 e 1567, envolvendo tribos que ocupavam o litoral entre Bertioga (SP) e Cabo Frio (RJ). Sua aldeia havia sido atacada pelos Peró (portugueses) e os sobreviventes foram escravizados pelos colonizadores. Kairuçu morreu no cativeiro nas fazendas de Brás Cubas, governador da Capitania de São Vicente. Seu filho, Aimberê, insuflou então uma revolta e fuga em massa do cativeiro, indo para as terras da capitania do Rio de Janeiro e constituindo o conhecido entrincheiramento de Uruçumirim.

Depois de reunir-se com chefes de outros grupos e nações indígenas no litoral fluminense, Aimberê costurou uma aliança histórica de resistência contra a dominação portuguesa e a escravidão indígena e pela recuperação de suas terras.