Mais um caso de violência homofóbica no Rio

Um episódio lamentável de violência contra homossexuais marcou o aniversário de uma colaboradora do mandato, na madrugada do último domingo (01).

Enquanto o grupo confraternizava no Bar Casa Brasil, localizado na Praça São Salvador, em Laranjeiras, um casal gay era agredido em frente ao estabelecimento.

As vítimas até pediram ajuda a guardas municipais, mas eles nada fizeram. O casal então recorreu a uma patrulha da polícia militar, mas estes também não intervieram. Apenas orientaram os agredidos a procurarem a delegacia mais próxima.

Revoltados, os convidados do aniversário decidiram promover um “Beijato”, em frente aos homofóbicos, mas os agressores não se intimidaram com o grupo maior e iniciaram xingamentos e agressões físicas, com direito a socos, pontapés e até garrafadas.

Apesar da confusão, mais uma vez a polícia nada fez. Pelo contrário, os PMs mostraram-se parceiros dos agressores.

A indignação então tomou conta de toda praça, que partiu para cima dos “pitboys”. Só então a polícia decidiu agir, encaminhando todos para a delegacia da área.

Indignado, o vereador Renato Cinco (PSOL-RJ) fez um discurso, no plenário da Câmara, denunciando o ocorrido.

Agressões a gays e lésbicas acontecem diariamente no Brasil. Dados do Grupo Gay Bahia, referência na luta contra a homofobia, apontam que, no ano passado, 216 pessoas morreram vítimas da homofobia.

Abaixo, reproduzimos um breve relato de um dos agredidos:

“Não é fácil perceber quando uma agressão ocorre pela falta de compreensão do que é o outro. Todo agressor parte de verdades “inquestionáveis”, por isso, não há palavra que o segure. Ontem, foi a primeira vez que o ódio chegou perto de mim e dos meus. Conheci a raiva direcionada ao que não se compreende ou se aceita.

No momento que acontece, duas reações e reflexões passam pela cabeça: A primeira, é de se entregar ao medo e ficar calado, colocar o rabo entre as pernas e fazer exatamente o que manda o agressor: excluir-se. A segunda, é de tentar transformar o medo em alguma espécie de coragem para conseguir tirar qualquer tipo de força para gritar, unir-se aos seus e buscar minimamente mudar qualquer coisa.

Foi isso que se passou ontem: o medo encontrou a sorte e a coragem. 2 passaram a ser muitos. E uma esperança de justiça aconteceu ali, naquela praça mesmo, um primeiro julgamento para os agressores foi ter que assistir iguais e diferentes entre beijos. O próximo será por vias tradicionais. Sorte tivemos de ter encontrado alguns seres da luta pelo caminho. Cada dia mais importante politizar nossos atos.

Não há silêncio possível!!! Um grito pela criminalização da homofobia seguido por um debate profundo sobre a questão. Um grito pela discussão a fundo sobre o machismo, o racismo, a xenofobia e todo e qualquer tipo de opressão social. Não quero ser agredido e não quero ver ninguém ser violentado por ser o que é.”