Mulheres em luta pela legalização do aborto

Nem mesmo a chuva atrapalhou o ato das mulheres, no Largo da Carioca, na última segunda-feira (09). A música, a dança, a distribuição de camisinhas femininas e masculinas e os cartazes sobre a legalização e a regulamentação do aborto atraíram a atenção dos que passavam pelo local.

Um boneco, que representava o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), foi o “Judas” do evento. No mês passado, o parlamentar afirmou que o legislativo só votaria projetos sobre o aborto se “passassem por cima do cadáver dele”.

Sapatos espalhados representavam as mulheres mortas em procedimentos cirúrgicos para a interrupção da gestação.

No Brasil, cerca de 1 milhão de abortos são realizados por ano. Uma em cada cinco mulheres já realizou o procedimento. A cada dois dias, uma mulher morre vítima de complicações decorrentes de abortos mal sucedidos.

No país, o aborto é considerado legal somente em três casos: estupro; risco de morte para a mãe; ou quando o feto não tem cérebro.

O ato teve como objetivo chamar a atenção para este drama. A proibição não reduz o número de abortos, mas é eficaz no extermínio de mulheres, especialmente as mais pobres.

Lutamos para que as mulheres tenham o direito de decidir sobre a interrupção da gravidez, sem que sejam tratadas como criminosas.

Legalização e regulamentação do aborto já!