Prefeitura não fecha acordo e garis mantêm greve

Até o fechamento deste boletim, o impasse entre os garis e a prefeitura continuava. A categoria decidiu manter a greve, iniciada na sexta-feira (13). Na quarta-feira passada (18), os trabalhadores foram ao Tribunal Regional do Trabalho para negociar, mas a reunião com os diretores da Comlurb terminou sem acordo. Os garis pedem um reajuste de 15% e aumento no vale refeição de 20 para 27 reais, já a prefeitura propôs inicialmente pífios 03%.

Ilegalidades no plano de contingência

Enquanto isso, o lixo se acumula nas ruas do Rio. Para limpar a cidade, a prefeitura organizou um plano emergencial de contingência completamente ilegal, baseado na obscura contratação de trabalhadores substitutos, que não dispõe de treinamento e de materiais básicos de trabalho (luvas e uniformes, por exemplo), e de empresas de segurança, que estão fazendo a “escolta” das equipes de limpeza. Os garis afirmam que menores de idade estão sendo contratados para fazer o recolhimento do lixo. Veja a foto abaixo:

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Durante a semana, o jornal “O Globo” denunciou gastos estratosféricos com o tal plano de contingência. Em menos de uma semana, a prefeitura gastou 03 milhões de reais com a empresa T&E Consultoria de Recursos Humanos Ltda. Apesar de a informação constar no Diário Oficial, a proprietária do negócio, Teresa Fraga, nega ter recebido qualquer valor.

A estratégia da prefeitura de reprimir o movimento grevista não acontece apenas com os garis. Até hoje, profissionais de educação estão tendo seus salários descontados por conta da última greve da categoria, numa clara demonstração de autoritarismo por parte de Eduardo Paes (PMDB).

Na próxima semana, o Tribunal Regional do Trabalho deverá julgar o dissídio coletivo dos trabalhadores da Comlurb.

Em discurso no plenário, Renato Cinco manifestou apoio aos grevistas e criticou a postura do governo municipal frente ao movimento.

Além disso, Cinco enviou um ofício aos garis contestando as afirmações do prefeito de que o “momento de crise” e “problemas fiscais” impediriam a concessão do reajuste. Leia a íntegra do documento:

Ofício GVRC no 017/2015

Rio de Janeiro, 19 de março de 2015.

AO COMANDO DE GREVE DA COMLURB

À TODOS OS TRABALHADORES DA COMLURB

Ref.: Orçamento do Município do Rio de Janeiro

Prezados trabalhadores e trabalhadoras da Companhia Municipal de Limpeza Urbana,

Primeiramente, venho mais uma vez manifestar meu total apoio às suas justas reivindicações por melhores condições de trabalho. Sabemos como o trabalho desempenhado com muita dedicação por vocês são fundamentais para o funcionamento de toda a cidade.

Venho por meio deste chamar sua atenção para um dado interessante a respeito do orçamento municipal. Como vocês mesmo apontaram, a Prefeitura ofereceu inicialmente um reajuste de 3%, abaixo da inflação anual. Para o vale-refeição, atualmente no valor de apenas 20 (vinte) reais, nenhuma proposta de reajuste foi sequer apresentada inicialmente.

O Prefeito Eduardo Paes, em declarações à imprensa, afirmou que “problemas fiscais” e “o momento de crise” impedem a concessão de um aumento para os garis. Ocorre que uma rápida análise na distribuição do orçamento do Município demonstra que certas áreas não foram afetadas por estes “problemas fiscais” ou pela “crise”.

Em 2015, o gasto previsto com publicidade e propaganda da Prefeitura do Rio de Janeiro teve um aumento de 211% em relação à 2014. De fato, na Lei Orçamentária Anual de 2014 este gasto foi R$ 20 milhões, já em 2015 subiu para R$ 62,5 milhões de reais.

Ora, se para triplicar o orçamento previsto para publicidade não existem “problemas fiscais”, também não deveria haver obstáculos para a valorização de um serviço essencial para a cidade como é o caso da limpeza urbana.

Esperamos que essa informação seja útil na sua luta por melhorias salariais.

Atenciosamente,

Renato Cinco