UERJ de portas fechadas

Na última quinta-feira (28), a UERJ presenciou cenas de terror. A universidade, pioneira na adoção de política de cotas no Brasil, não só fechou suas portas para os moradores que estavam sendo brutalmente removidos da favela Metrô-Mangueira e para os estudantes que foram até a comunidade prestar solidariedade, como os recebeu com extrema violência.

Tudo começou no início da noite, quando a guarda municipal, a Polícia Militar e o Batalhão de Choque iniciaram mais um procedimento arbitrário de remoção da favela Metrô-Mangueira, fazendo uso de bombas de gás e retroescavadeiras para a demolição das casas. Um grupo de estudantes da UERJ, concentrados no campus Maracanã para uma assembleia, ao tomar conhecimento da situação, se dirigiu ao local para oferecer apoio e se somar à resistência já iniciada pelos moradores.

Por conta da grande truculência policial, o grupo – estudantes e moradores – retornou à UERJ, onde foi recebido também com violência, mas desta vez pelos seguranças da universidade. Há relatos de ameaças e uso de cacetetes, jatos de água de mangueiras de incêndio e pedras.

Tanto o processo de remoções promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, quanto o de violência institucional por parte da reitoria da UERJ, não são novidade. Sob o pretexto de organizar e estruturar a cidade para os megaeventos – Copa do Mundo e Olimpíadas -, cerca de 20 mil famílias foram expulsas de suas residências entre 2009 e 2014. Já na UERJ, manifestações de estudantes vem sendo sistematicamente reprimidas pelos seguranças, inclusive com alguns contratados para acompanhar assembleias e reuniões organizadas pelo movimento estudantil.

Em nota, o reitor Ricardo Vieiralves chamou de “associação perigosa entre membros da UERJ com pessoas estranhas à nossa comunidade” uma compreensão que não deveria ser só dos estudantes, mas de toda a comunidade acadêmica: de nada vale a produção de conhecimento se não for aliada à intervenção na sociedade e não estiver à serviço da população.

Em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco (PSOL) criticou as agressões aos manifestantes.

O Centro Acadêmico de Comunicação Social da UERJ produziu uma matéria sobre o ocorrido. Confira:

https://www.facebook.com/cacos.uerj.1/videos/867557369994106/?pnref=story