Projeto não conta com a participação de educadores

6No início deste mês, durante entrevista, a Secretária Municipal de Educação, Helena Bomeny, declarou que a Prefeitura do Rio pretende construir 331 escolas em tempo integral até o ano de 2016, a partir de uma grande reorganização da rede.

Bomeny afirmou que tal meta será atingida com a acontecerá com a construção de escolas –  esperamos que não seja apenas a reconfiguração de unidades antigas –, com a abertura de concursos e com a ampliação da migração de professores para a carga horária de 40h, que darão aulas nas novas unidades de ensino após passar por uma escola de formação. Vale lembrar que, pelos critérios dos editais da Secretaria, os educadores grevistas não podem fazer a migração.

Recentemente, a Secretaria criou a “Escola de Formação Paulo Freire”, onde os professores realizam cursos de atualização. Segundo a própria secretária, os cursos de formação são restritos a algumas matérias (matemática, ciências e português), justamente aquelas submetidas às avaliações externas.

Construir um espaço de formação é fundamental, mas ele deve atender às necessidades da comunidade escolar como um todo e não apenas buscar a melhora em índices. Além disso, os professores devem ter autonomia para escolher outros cursos de formação em universidades públicas e privadas.

Tal proposta tem por objetivo atender à sexta meta do “Plano Nacional de Educação”, que propõe oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, cinquenta por cento das escolas públicas, atendendo, pelo menos, vinte e cinco por cento dos alunos da educação básica.

Mais uma vez, os educadores e a comunidade escolar não participaram da elaboração dos  projetos educacionais da SME.

Quem está pensando a proposta pedagógica de tempo integral da Secretaria Municipal de Educação? Implementar uma iniciativa sem o envolvimento de pessoas que estão no “chão da escola” é incoerente, inclusive, com os pronunciamentos públicos da secretária.