Sem trabalho, pescadores de Santa Cruz paralisam obra no rio Guandu

A construção de uma barragem no rio São Francisco, em Santa Cruz, vem causando graves prejuízos aos pescadores locais. O São Francisco é a continuação natural do rio Guandu, que ganha esse nome ao se aproximar do mar. Com dificuldades de navegação e acesso à Baía de Sepetiba, de onde tiram o seu sustento, os pescadores paralisaram a obra no dia 1º de julho.

A construção é de responsabilidade da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz (Aedin) e teria o objetivo de impedir a entrada de água do mar no rio, a chamada intrusão salina, que já paralisou a atividade industrial da região. O fenômeno se tornou mais frequente após a diminuição da vazão do rio Guandu no contexto da crise hídrica que afeta o Sudeste do Brasil.

O rio Guandu é a principal fonte hídrica da região metropolitana do Rio de Janeiro. A diminuição de sua vazão, controlada por comportas de quatro reservatórios do sistema Guandu, se faz necessária para manter o volume para o abastecimento da população, que estava em apenas 14.5% em 7 de julho. A tendência para os próximos meses é de redução, já que se inicia o período da seca.

Acompanhe o nível dos reservtórios do sistema Guandu: http://54.94.130.178:8080/siga-ceivap/salaDeSituacao

Sem diminuir ainda mais a vazão por conta das indústrias de Santa Cruz, há um desperdício diário de água. A barragem surgiria como uma solução do abastecimento das empresas, que não investiram o necessário para fazer a captação em outro ponto do rio. No entanto, a solução inviabiliza a pesca, criando dificuldades de navegação e colocando em risco a reprodução dos peixes e a vida dos pescadores. Há mais de um mês eles têm dificuldades em transitar pelo rio.

Entre as grandes consumidoras de água da região está a TKCSA, que em poucos anos de atuação em Santa Cruz já acumula um histórico de violações de direitos humanos. A contaminação do ar com a chuva de prata agora se completa com a ausência de planejamento para o uso racional da água, que pode prejudicar a todos os moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Comissão Especial sobre o Colapso Hídrico

Na última quarta-feira (8), pescadores se reuniram com representantes da Aedin para chegar a um acordo sobre um plano emergencial. As empresas haviam se comprometido com a Defensoria Pública de apresentar uma proposta, mas não cumpriram o acordo. Os defensores então fizeram uma proposta e aguardam um retorno até sexta-feira, 10 de julho. Caso não haja um entendimento, a Defensoria entrará com uma ação na Justiça.

A reunião foi acompanhada pelo vereador Renato Cinco, que preside a Comissão Especial sobre o Colapso Hídrico, instalada pela Câmara Municipal. Em março, os mandatos de Renato Cinco e do deputado estadual Flavio Serafini organizaram o debate “Colapso Hídrico e o Ecossocialismo”, quando foram apontados os riscos de abastecimento à cidade do Rio de Janeiro a partir de um modelo de desenvolvimento que não prioriza a vida.

Assista ao debate na íntegra

Saiba mais sobre o conflito em Santa Cruz no site do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs) – http://www.pacs.org.br/.