Reservatórios do Guandu operam abaixo de 10%

guaduO sistema Guandu, responsável por abastecer nove milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, opera pela primeira vez abaixo de 10% no mês de agosto. Na quarta-feira (19), o reservatório equivalente registrava 8.35%. Como comparação, no mesmo dia em 2014 o nível estava em 20.19%; em 2013, alcançava 60.04%. Ao que tudo indica, os reservatórios atingirão o volume morto nos próximos meses e irão superar os recordes de baixa do ano passado.

O chamado reservatório equivalente considera a capacidade hídrica de quatro reservatórios principais que fazem parte do sistema Guandu: Paraibuna, Santa Branca e Jaguari, localizados no Estado de São Paulo; e Funil, em território fluminense. O projeto SIGA-CEIVAP, do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, disponibiliza o histórico de dados desde 1995 sobre esta bacia que abastece o sistema Guandu.

Em relação aos últimos 21 anos é possível notar a gravidade do momento (base do dia 19 de agosto): 

ChartGo

Acompanhe dia a dia o nível dos reservatórios do sistema Guandu

Em São Paulo, mais de um ano e meio após o início da crise, o governador Geraldo Alckmin declarou oficialmente nesta quarta-feira que a situação é crítica no Sistema Alto Tietê, responsável por atender diretamente 4,5 milhões de pessoas. O Alto Tietê atravessa o mês mais seco da sua história e a medida abre margem para a suspensão da captação de água pela indústria e pela agricultura, que são os maiores consumidores do recurso, que deveria ser considerado um direito humano fundamental.

Comissão Especial sobre o Colapso Hídrico no Rio de Janeiro

A gravidade da situação fez com que a Câmara dos Vereadores aprovasse a criação da Comissão Especial sobre o Colapso Hídrico, presidida pelo vereador Renato Cinco. O grupo tem trabalhado para construir um diagnóstico sobre a situação hídrica do Município do Rio de Janeiro, que pretende abordar as condições do serviço de abastecimento de água – quantidade e qualidade –, de saneamento e os desperdícios do sistema.

Além disso, serão organizadas atividades – reuniões abertas, audiências, debates – dentro e fora da Câmara com o objetivo de promover esta discussão com a população carioca. Se as causas do colapso hídrico que atinge todo o Sudeste do Brasil são objeto de polêmica, não há dúvidas de que a falta d’água reflete um verdadeiro colapso da relação da sociedade com a natureza. As soluções dentro de uma lógica de mercado podem aprofundar ainda mais o problema a longo prazo.

Para discutir a questão a fundo, os mandatos do vereador Renato Cinco e do deputado estadual Flavio Serafini organizaram no início do ano o debate “Colapso Hídrico e o Ecossocialismo”, quando foram apontados os riscos da expansão de um modelo de desenvolvimento econômico que não prioriza a vida. Assista o debate na íntegra: