Reestruturação do Ensino: comunidade escolar rejeita propostas

Na sexta-feira (28), o salão nobre do Olaria Atlético Clube recebeu a quinta Audiência Pública sobre a Reestruturação do Ensino. Tais audiências, que são convocadas pela Comissão de Educação da Câmara Muncipal, têm ocorrido de maneira descentralizada: uma para cada Coordenadoria Regional de Ensino (CRE). A última atendeu à comunidade escolar da 4ª CRE. Pais, alunos, diretores, professores, merendeiras e outros profissionais de educação marcaram presença.

A comunidade escolar demonstrou sua insatisfação com a reestruturação proposta pela prefeitura, mesmo com o esforço da representante da Secretaria Municipal de Educação (SME) de maquiar a realidade. Muitos pais e professores demonstraram grande preocupação com o impacto que essas mudanças trarão para as vidas dos alunos. Uma questão grave colocada por eles explicita o quanto a reestruturação não leva em conta as pessoas envolvidas no processo: a área sobre a qual falavam é um território com conflito de facções opostas. Como será migrar alunos de uma escola para outra?

A reestruturação tem como objetivo, entre outras ações, retirar um dos segmentos das escolas, o que causa transtorno para toda a comunidade atendida por aquela unidade escolar. É o caso da Escola Municipal Lenor Coelho Pereira, localizada na Penha, que deixará de ter o segundo segmento do ensino fundamental. Não há outra escola próxima e, por isso, ainda não se sabe para onde os alunos serão transferidos.

Uma aluna, durante sua fala, demonstrou indignação com o que considera uma atitude irresponsável e afirmou que a prefeitura se preocupa apenas com metas e em fazer propagandas enganosas. Disse ainda que a única reestruturação necessária na escola da qual deixará de estudar seria com as condições, já que está abandonada. Muitos diretores aproveitaram a oportunidade para desabafar sobre a árdua tarefa de gerir as escolas na situação em que se encontram hoje e reclamaram da falta de valorização dos profissionais, que avaliaram com sendo fruto do péssimo plano de carreira em vigor.

A reestruturação da SME não é novidade: vem sendo desenvolvida aos poucos e, hoje, a rede já se encontra “fatiada”, com escolas de modelos diferenciados. Umas são os “Ginásios Cariocas” – que buscam um caráter de excelência, com número menor de alunos por turma, que são selecionados pelo desempenho – e outras são as chamadas “Escolas do amanhã” – que não podem recusar alunos e têm as salas lotadas. O único aspecto comum em ambas é o professor polivalente, aquele que ministra outras disciplinas para além a da qual foi concursado para lecionar.

O vereador Renato Cinco participou da Audiência, apresentando críticas contundentes. Aproveitou a ocasião para falar sobre a falta de valorização dos profissionais de educação, cobrar o reajuste salarial desse ano, que ainda não chegou ao servidor municipal, e problematizar a reestruturação que está curso. Cinco se comprometeu ainda a acompanhar todo o processo e a permanecer ao lado dos profissionais da educação na luta contra esse modelo neoliberal em implementação.

A representante da SME não respondeu a maioria das questões, e, em alguns momentos, parecia concordar coma as críticas apontadas.

A próxima Audiência Pública Regional será com a 6ª CRE nessa sexta-feira (04), às 09h, na Arena Jovelina Perola Negra, na praça Ênio, s/n° Pavuna.

Confira o calendário de audiências:

04/09 – 6ª CRE / Pavuna (Arena Jovelina Pérola Negra)
11/09 – 7ª CRE / Recreio (1ª Igreja Batista do Recreio)
18/09 – 10ª CRE / Santa Cruz (Cidade das Crianças)
25/09 – 8ª CRE / Realengo (Universidade Castelo Branco)
02/10 – 5ª CRE / Vicente de Carvalho (Casa do Viseu)
09/10 – 11ª CRE / Ilha do Governador (Subprefeitura da Ilha do Governador)