Violência policial e desmilitarização da segurança

4A história do assassinato do pedreiro Amarildo é apenas uma de muitas envolvendo policiais no Brasil. O relatório “Você matou meu filho!”, divulgado pela Anistia Internacional, revela que, entre 2005 e 2014, 5.132 pessoas foram mortas por policiais em serviço na cidade do Rio de Janeiro. A grande maioria das vítimas era de jovens negros, habitantes de favelas.

Neste contexto, ganhou peso o movimento em defesa da desmilitarização das forças de segurança. No início deste mês, os “Comitês Nacionais pela Desmilitarização da Polícia e da Política” lançaram uma cartilha sobre a questão, apontando os equívocos de políticas de segurança orientadas por uma lógica militar, baseada na eliminação daqueles classificados como “inimigos”.

Ao checar o andamento de todas as 220 investigações de homicídios decorrentes de intervenção policial no ano de 2011, na Cidade do Rio de Janeiro, a Anistia Internacional descobriu que foi apresentada a denúncia em apenas um caso. Até abril de 2015, mais de três anos depois, 183 dessas 220 investigações seguem em aberto.

Na quarta-feira (16), em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco falou sobre o tema:
“Agora, é importante chamarmos a atenção para o fato de que o resultado desse relatório não é fruto, como muitas vezes nossos governantes gostam de dizer, da falta de formação dos nossos policiais. Na verdade, o nosso entendimento – e essa Cartilha pela Desmilitarização da Polícia e da Política ajuda a gente a entender – é que isso não é fruto da falta de formação. Esse é uma opção política do Estado brasileiro! O Estado brasileiro tem como opção política, para preservar os altos índices de desigualdade no nosso país, sustentar uma política de criminalização da pobreza. Essa é uma política de Estado”, declarou Cinco. Veja íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=MR1EfUZdgao

A cartilha também apresenta dados graves. Seis pessoas são mortas, em média, pelas polícias brasileiras todos os dias; 11.197 pessoas foram mortas pela Polícia Militar brasileira nos últimos cinco anos; 99,2% do número de inquéritos de casos de auto de resistência foram arquivados a partir de 2005.