Resistência indígena é homenageada

A comemoração organizada pela Prefeitura para celebrar os 450 do Rio de Janeiro ignora o fato de que o território da nossa cidade era ocupado por povos indígenas, que foram massacrados pelo colonizador europeu. Percebendo a necessidade de contar essa parte pouco nobre da história carioca, nosso mandato homenageou com a medalha Pedro Ernesto post-mortem o cacique Aimberê.

A medalha foi entregue para o mestre Altamiro dos Santos, liderança indígena da Praia Grande da Cajaiba, que atualmente trava uma batalha contra um grileiro que deseja construir um resort na localidade. A cerimônia de entregada da medalha foi realizada no Salão Nobre do colégio Pedro II Centro. Além de Altamiro, participaram da mesa o vereador Renato Cinco, o professor Tarcísio Motta, a historiadora Tainá Mie Seto Soares e o professor José Ribamar Bessa.

“Hoje tem um grileiro querendo tomar nossa terrinha. Eu estou ali desde a época do meu avô, sou pescador, lavrador e empregado de mim mesmo. Não tenho capacidade de morar na cidade, pois não tinha como estudar no colégio que ficava em Paraty. A viagem de remo até lá demorava 5 horas. Entretanto, meu pai me ensinou a pescar, plantar e fazer a casa de farinha. Tenho muito orgulho disso,” disse Altamiro.

Aimberê foi um dos principais líderes da Confederação dos Tamoios (do tupi Tamuya, que significa avô, antepassado, mais velho), uma revolta indígena que aconteceu entre 1554 e 1567, envolvendo tribos que ocupavam o litoral entre Bertioga (SP) e Cabo Frio (RJ). Filho do cacique Kairuçu dos tupinambás da Guanabara, teve sua aldeia atacada pelos Peró (portugueses). Os sobreviventes foram escravizados pelos colonizadores. Após a morte de seus pais, Aimberê liderou uma fuga em massa do cativeiro, indo para as terras da capitania do Rio de Janeiro e constituindo o entrincheiramento de Uruçumirim.

Depois de se reunir com chefes de outros grupos e nações indígenas, Aimberê costurou uma aliança contra a dominação portuguesa e a escravidão indígena. Esta frente de resistência durou mais de 10 anos.

“A ideia de fazer essa homenagem dentro de um colégio tem relação com a necessidade de estimular que esse debate sobre a história dos oprimidos e dos vencidos ganhe cada vez mais espaço. Passados 500 anos, eu percebo que as populações tradicionais ainda precisam lutar e resistir”, disse Cinco, que também comentou sobre os recentes ataques contra a tribo Guarani-Kaiowá.