Pela valorização dos educadores

educa1Professores, merendeiras, inspetores, secretários, diretores: todos são educadores. Pois são partes essenciais de uma instituição que, durante 17 anos, é responsável por contribuir com a formação dos filhos de todos.

Esse mês, em que se comemora o “Dia do Professor”, passou a ser chamado de “outubro vermelho” desde o ano passado, como homenagem a todos que lutaram em defesa da valorização dos educadores no dia 1º de outubro de 2013, recebendo um tratamento na base de “tiro, porrada e bomba” por parte do Estado.

Ainda que tal data tenha se tornado um marco, as agressões não pararam por aí. A violência cotidiana passa pela falta de condições adequadas de trabalho, salas super lotadas – algumas no município do Rio ultrapassam cinquenta alunos – e salários baixos.

Muitos são os que alegam que os professores, em outros tempos, eram mais valorizados. O professor é a única categoria dentro do funcionalismo público, com formação de nível superior, que recebe um salário tão rebaixado. Por quê?

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os salários dos professores brasileiros estão entre os piores do mundo. De acordo com o estudo, um professor do ensino fundamental de instituições públicas, em início de carreira, recebe no Brasil, em média, 10.375 dólares por ano. Em Luxemburgo, o país com o maior salário para docentes, o professor recebe 66.085 dólares. Entre os países membros da OCDE, a média salarial do professor é de 29.411 dólares – quase três vezes mais do que o salário brasileiro.

Mas não é necessária a comparação com países europeus. Mesmo na América Latina, o Brasil é um dos piores “pagadores”. No Chile e no México, os professores recebem um salário consideravelmente maior que o brasileiro: 17.770 e 15.556 dólares respectivamente. Entre os países mapeados pela pesquisa, o Brasil só fica na frente da Indonésia.

A precarização traz consequências reais para a vida destes profissionais: professores de licença médica, em decorrência dos impactos trazidos pelo trabalho; a maioria não tem casa própria e segue sem perspectiva de que isso ocorra, já que uma prestação do financiamento oferecido pela Caixa Econômica é maior do que o vencimento salarial do professor – considerando o valor de um apartamento de preço médio; ampliação da carga horária com horas extras ou lecionando em três, quatro e até cinco escolas etc.

O “dia do professor” não deveria servir apenas para felicitações e comemorações, mas sim como um dia de reflexão.

“Ao iniciar uma carreira tão especial e relevante para a construção do conhecimento e imprenscindível para a transformação da sociedade que queremos – mais justa, igualitária, sem preconceitos – nós, professoras e professores desta cidade, acreditamos e ousamos lutar sempre! Em agosto de 2013 iniciamos uma greve que ficaria na nossa história e memória coletiva. Não foi somente pelos nossos salários, mas também por melhores condições de trabalho e respeito à autonomia de todos os personagens que constrõem a escola pública no Rio e Janeiro. No dia 1º de outubro, a Câmara de Vereadores tinha a tarefa de votar um Plano de Carreira dos Profissionais da Educação enviado pelo prefeito Eduardo Paes que não contemplava nossas reivindicações. Éramos totalmente contra! Ocupamos o plenário alguns dias antes, fomos expulsos violentamente e neste dia não nos foi permitido assistir a sessão – sessão esta que não respeitou os trâmites normais da casa e aprovou o Plano. Do lado de fora, um aparato policial de repressão que fazia inveja à polícia dos tempos da ditadura militar da década de 1960. E é por isso que hoje, dois anos depois, rememoramos esta data com muito amargor e aperto na garganta, mas também com gana pra lutar e realizar nosso sonho de ver a educação sendo respeitada e valorizada por governantes desta cidade tão dividida e partida. Para que nunca mais aconteça um 1º de outubro como em 2013, vamos repudiar essa polícia que mata e defender o direito a todos e todas por uma educação libertária e emancipatória”, declarou Dione Lins, professora e diretora do SEPE Central, falando um pouco sobre o que representa o “outubro vermelho” para a categoria.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco criticou a desvalorização do professor brasileiro. Veja o discurso:

Verdades da Profissão de Professor:

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.

Paulo Freire