No mês da consciência negra, um viva à Dandara!

Nesse novembro, mês em que se comemora o “Dia da Consciência Negra”, nosso mandato homenageia não a Zumbi, mas às Dandaras guerreiras que lutam dia após dia. Saudamos à Marcha das Mulheres Negras, que enegreceu as ruas do Distrito Federal, afirmando sua negritude e ancestralidade, ao relembrar e reafirmar o caminho percorrido por todas que vieram antes: Dandara, Carolina de Jesus, Luisa Mahin, Lélia Gonzales, Acotirene e tantas outras. E dando eco às pautas que as atingem, mais do a outros setores da sociedade, como o PL 5069 e a redução da maioridade penal, mas, acima de tudo, afirmando o básico: as mulheres negras querem viver.

Mesmo o ataque violento e gratuito de policiais, que estão acampados em frente ao Congresso, reivindicando o impeachment de Dilma, que deixou algumas manifestantes feridas, não apagou a importância e beleza dessa manifestação, que reuniu cerca de 20 mil pessoas.

Para marcar a bonita luta travada pelas mulheres negras, nosso mandato realizará, no próximo dia 28, a entrega de Medalha Pedro Ernesto à Heloisa Helena Costa Berto, a Yalorixá Luizinha de Nanã – moradora da comunidade Vila Autódromo. Na ocasião, o mandato do companheiro Flavio Serafini fará a entrega do prêmio Dandara à Luizinha.
A Yalorixá Luizinha de Nanã é responsável pelo Candomblé erguido na Vila Autódromo. Seu compromisso religioso está atrelado a uma promessa feita por sua mãe biológica, às margens da Lagoa de Jacarepaguá, e sua trajetória espiritual se liga à casa do Engenho Velho, primeira casa de Candomblé da Bahia, reconhecida como patrimônio público.

A Vila Autódromo é uma comunidade com farta história cultural. Além da memória de outras comunidades removidas e da característica ribeirinha, possui templos religiosos diversos, dentre eles um candomblé, referência de resistência negra no Brasil. O templo construído em terreno escolhido pelo orixá Nanã é reconhecido internacionalmente, não só por sua ajuda aos mais necessitados, mas também por sua produção de adereços afro-brasileiros e por se constituir em símbolo da luta pela liberdade religiosa e pela permanência da Vila Autódromo.

Homenagear o terreiro dirigido por Luizinha de Nanã é atestar sua importância político-cultural para a Comunidade e sua exemplar resistência às remoções.