Chacina em Costa Barros

Na noite de sábado (28), moradores da periferia do Rio de Janeiro foram, mais uma vez, vítimas da violência policial. Dessa vez, foram cinco jovens em Costa Barros – próximo ao Complexo da Pedreira.

Roberto de Souza Penha, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16 anos, Cleiton Correa de Souza, 18 anos, Wilton Esteves Domingos Junior, 20 anos, e Wesley Castro Rodrigues, 25 anos, foram assassinados com mais de 100 tiros de fuzil e pistola. O crime que cometeram foi o de irem, juntos, de carro, até o Parque de Madureira para se divertir. Os cinco eram amigos desde a infância, todos negros e moradores da Comunidade da Lagartixa.

Os policiais autores dos disparos – os soldados Thiago Resende Viana Barbosa e Antônio Carlos Gonçalves Filho, o sargento Márcio Darcy Alves dos Santos e o cabo Fabio Pizza Oliveira da Silva – eram lotados no 41º BPM (Irajá) e foram pegos em flagrante ao tentar alterar a cena do crime. Os PM’s chegaram a registrar o caso como auto de resistência, versão que foi desmentida pela perícia. A prisão preventiva dos quatro foi decretada na terça-feira (01), sob alegação de homicídio qualificado e fraude processual.

Renato Cinco falou sobre o caso no plenário da Câmara Municipal durante a sessão dessa quinta-feira (03). “O que mais me preocupa é que a gente não pode aceitar duas linhas de raciocínio: uma é de que o que ocorreu é fruto do despreparo dos policiais militares. Isso não é fruto de despreparo, a polícia militar é preparada para agir assim! O treinamento, a concepção, o próprio fato de estarem portando fuzis – que são armas de guerra!

Então, querer imputar a esses policiais a responsabilidade, como se fosse do despreparo deles, é fazer com que a sociedade não compreenda o que aconteceu. Eles foram algozes, sim. Mas a polícia militar também tem que responder enquanto instituição pelo tipo de treinamento, pelo tipo de preparo que eles dão aos policiais militares na nossa cidade.

A outra linha de raciocínio que eu quero ajudar a combater com o meu discurso aqui é de que também o problema é da polícia. A polícia é reflexo da sociedade. Nós temos uma polícia que é do jeito que é porque a tarefa histórica dela até hoje não é proteger o cidadão e a cidadã, é proteger os ricos dos pobres. Basta ver os crimes: os que atingem os ricos são altamente eficientes em solucionar. O crime que elimina, que executa, que extermina a juventude pobre e negra do nosso país, que é o homicídio, a polícia conclui quantos porcento dos inquéritos?”, declarou Cinco.

E concluiu afirmando que “em nenhum lugar do Brasil a polícia investiga os crimes praticados contra os pobres – a não ser que saia na televisão. Porque a nossa polícia é feita para oprimir a população, para uma sociedade que precisa de uma polícia que haja com o máximo de violência contra o povo pra impedir que esse povo se organize e se mobilize e transforme a realidade social do nosso país”.

Veja o discurso na íntegra: