Escolas Municipais definham na Cidade Olímpica

Enquanto a prefeitura inaugura o “Museu do Amanhã” e dobra a verba destinada às escolas de samba, muitas escolas municipais iniciam o ano letivo em condições precárias de funcionamento. As denúncias são muitas e têm diferentes origens: de mães até profissionais de educação, de variadas regiões da cidade.

A climatização, por exemplo, foi uma das reivindicações negociadas durante a greve de 2013 e, mesmo após três anos, cerca de 50% das escolas da rede seguem sem ar condicionado. E, dentre as unidades que já receberam o equipamento, há relatos de problemas relativos à manutenção. O calor desproporcional, somado ao número excessivo de alunos por turmas (variando de 40 a 56), dificulta o processo de aprendizagem.

A E. M. Brigadeiro Eduardo Gomes, na Ilha do Governador, é umas das que já possuem aparelhos de ar-condicionado – que estão nas janelas há dois anos, mas não funcionam. A diretora da unidade afirmou que irá comprar ventiladores novos. Na E. M. Marechal Mascarenhas de Moraes, no Caju, profissionais da educação denunciam o calor extremo, salas lotadas (com mais de 40 crianças) e falta de mobiliário.

As escolas que mais sofrem são as localizadas nas áreas periféricas da cidade, como Zona Oeste e Zona Norte, mas os problemas são tantos que chegam até a Zona Sul.

A tradicional E. M. Senador Correa, no bairro de Laranjeiras, iniciou o ano pedindo aos pais que organizassem rifas para comprar itens básicos para a escola em virtude da falta de condições de funcionamento. Erika Arantes, mãe de dois alunos matriculados nessa unidade, retirou seus filhos da mesma. “O que me fez tomar essa decisão final foi o fato de me sentir insegura com a falta de pessoal – principalmente na portaria (ouvi dizer que não teve renovação com os terceirizados) –, somado ao fato da escola ser praticamente insalubre (calor, falta de pessoal de limpeza, pátio todo quebrado)”, afirmou.

A ausência de porteiro não é privilégio da Senador Correa. Muitas outras escolas passam por isso, como é o caso da E. M. Abraão Jabour, já denunciada por profissionais de educação que atuam na unidade.

Na Cidade Olímpica, muitas escolas sofrem com ausência de quadras ou possuem quadras em péssimo estado. Enquanto a Secretaria de Educação tenta impor às unidades escolares o projeto de “Reestruturação”, a verdadeira reestruturação não acontece por falta de verbas. Hoje falta de tudo nas escolas, inclusive tranquilidade e aprendizado.