Folia e repressão

A repressão aos camelôs por parte da guarda municipal não é novidade no Rio. Mas, no carnaval desse ano, o cenário mudou um pouco. A perseguição foi direcionada aos vendedores ambulantes não credenciados e que vendiam cervejas que não fossem a “Antártica” – patrocinadora oficial do carnaval de rua carioca, após um acordo pouco transparente com a prefeitura da cidade.

Além da perseguição aos camelôs, a inovação ficou por conta dos ataques aos blocos não autorizados pela prefeitura. A repressão começou ainda em janeiro, com a interrupção da abertura não oficial do carnaval – que acontece já há alguns anos -, e teve seu ápice na intervenção violenta que interrompeu o desfile do “TechnoBloco”, na Praça Mauá.

Após o ataque truculento da guarda municipal, muitas pessoas ficaram feridas. O editor de vídeos João Gila teve fratura exposta no cotovelo após 3 golpes de cassetete e, mesmo depois de passar por uma cirurgia que durou sete horas, segue sem o movimento de dois dedos.
Em seu discurso no retorno do plenário, Renato Cinco enumerou seis casos de blocos carnavalescos que foram reprimidos pela Guarda Municipal, Polícia Militar e até o Exército. Cinco aproveitou a oportunidade para criticar o aumento da violência institucional – principalmente a partir das grandes manifestações de 2013 – e a crescente militarização das forças de repressão do Estado.

“Essa submissão do nosso Estado aos interesses do grande capital tem um desdobramento no nosso dia-a-dia, nas ruas da nossa cidade, que é um Estado cada vez mais armado, cada vez mais militarizado e truculento ao se relacionar com a população – seja no dia-a-dia das favelas, seja nas manifestações políticas, no aumento da violência institucional de 2013 pra cá. E foi isso que nós vimos acontecer no carnaval desse ano no Rio de Janeiro.

Está provado, mais uma vez, que a guarda municipal do Rio de Janeiro precisa ser profundamente reformulada. Os guardas municipais precisam ser protegidos desse abuso permanente de manter a guarda em desvio de função, fazendo com que a guarda assuma atribuições de policiamento que lhe competem”, afirmou Cinco.

Veja o discurso na íntegra:

Nessa quinta-feira (18), Renato Cinco protocolou um Requerimento de Informações dirigido à GM-Rio e à SEOP questionando quais medidas serão adotadas para que tais episódios de truculência não se repitam. O requerimento questiona ainda o uso de armas “menos letais” pela Guarda.