Tragédia anunciada no aterro sanitário de Seropédica

Criado como alternativa para substituir o Lixão de Gramacho, o Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica (CTR) foi apresentado por autoridades municipais e estaduais como uma “alternativa segura” para o despejo de lixo.

Entretanto, no último final de semana, cerca de 50 mil litros de chorume vazaram do local, contaminando um córrego de Seropédica e ameaçando o aquífero Piranema, um dos mais importantes do estado. A empresa Ciclus explicou em nota que o vazamento ocorreu por falta de energia elétrica, que provocou uma falha nos geradores durante o transporte do chorume.

O Piranema tem capacidade para abastecer a população do Rio durante um mês. Ele fica localizado a 180 metros de profundidade, entre o oeste do Rio e os municípios de Queimados, Japeri, Seropédica e Itaguaí.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco lembrou que a cidade do Rio de Janeiro também é responsável pelo vazamento, já que boa parte do lixo da cidade é enviado para Seropédica, e que este aterro foi criado com a garantia de diversas autoridades municipais e estaduais de que era um espaço seguro para o despejo de lixo.

“A construção deste CTR em cima de um aquífero já preocupava ambientalistas, professores e militantes em defesa do meio ambiente antes dele começar a funcionar. Na época, o secretário de governo, Pedro Paulo, declarou que o risco de vazamento era zero,” lembrou Cinco.

Veja a íntegra do discurso: