Bolsonaro tenta votar "escola sem partido"

3Na semana de grande mobilização de estudantes e profissionais de educação, o vereador Carlos Bolsonaro colocou na pauta de votações da Câmara Municipal o Projeto de Lei  “escola sem partido”. Na quarta-feira (02), após discursos de vários vereadores criticando a proposta, Bolsonaro recuou e retirou o PL da pauta. O sinal de alerta continua, pois a votação pode ocorrer nas próximas semanas.

Em discurso no plenário, o vereador Renato Cinco comentou sobre a manifestação realizada no Centro do Rio contra o sucateamento dos serviços públicos promovido pelo governo Pezão (PMDB).

Cinco lembrou que, apesar da crise, o governo do PMDB opta por manter a política que gerou esta situação financeira, citando projetos que criam novas isenções de impostos para grandes empresas.

Veja o vídeo com o discurso:

Escola sem partido

Com o pretexto de combater a doutrinação ideológica em sala de aula, a proposta representa um grave ataque à democracia no ambiente escolar e criminaliza o professor que apresentar um conteúdo que contraria os valores morais da família do aluno. Veja o projeto: http://goo.gl/e21RST

Este PL faz parte de um movimento de mesmo nome, que vem se articulando nacionalmente: PL’s de mesmo teor estão para ser votados em diversas Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas pelo Brasil afora, além da Câmara Federal.

O site deste movimento deixa claro que se trata de uma articulação político-empresarial, para fortalecer a ideia de que a escola deve ser apenas um local de instrução para o mercado de trabalho. A lista de apoiadores do “escola sem partido” conta com a Gerdau; a Suzano Papel e Celulose; o grupo Abril; a Fundação Roberto Marinho; a Fundação Victor Civita; além dos Bancos Bradesco e Itaú.

No plenário da Câmara Municipal, Renato Cinco explicou que a proposta do vereador Bolsonaro busca criar um ambiente de educação que elimine a formação crítica dos alunos.

“Esse movimento tem claramente como objetivo combater o que eles chamam de doutrinação marxista nas escolas. O que é a doutrinação marxista nas escolas para esse grupo? É qualquer tipo de conhecimento crítico, qualquer tipo de manifestação do pensamento que não seja meramente a reprodução da instrução ou das ideologias dominantes no nosso País. Querem colocar um cala-boca. Querem impedir os professores, os profissionais de Educação, de fazerem o debate crítico”, declarou.

Veja a íntegra do discurso:

Nas postagens sobre este projeto no Facebook do mandato é possível encontrar algumas declarações de apoiadores do “escola sem partido”, com comentários que deixam bem clara a “intenção democrática” destes setores.