Luta, substantivo feminino

Com palavras de ordem que afirmavam a necessidade do feminismo, milhares de mulheres ocuparam as ruas do Centro nessa semana. Centenas de balões lilases deixaram demarcado, para qualquer um que visse de longe, que ali estavam mulheres em luta por mais direitos e melhores condições de vida. Assim foi o 8 de março carioca: feministas, mulheres, das mais diversas origens, cores, idades e condições de vida deixando claro para os minimamente atentos que esse é um dia que simboliza a luta das mulheres em todo mundo.

A concentração começou às 16h, na ALERJ, para lembrar que na Casa Legislativa tramita para a aprovação – ou não – dos deputados estaduais o relatório final da CPI do Aborto. Tal CPI foi composta por apenas uma mulher e teve como objetivo aumentar a criminalização já sofrida pelas mulheres. Uma das orientações contidas no relatório, por exemplo, é a de que haja uma integração entre os sistemas de saúde e da polícia, para que toda mulher que dê entrada em alguma unidade de saúde com sintomas relativos à abortamento – natural ou provocado – tenha seu registro incluído também no sistema policial.

Durante a concentração, intervenções de diversas organizações políticas falaram sobre a importância da legalização do aborto, ao chamar atenção para os índices alarmantes de mortes em decorrência de abortamentos ilegais, e sobre os efeitos do ajuste fiscal proposto pelo governo para a vida das mulheres trabalhadoras. O lema “É pela vida das mulheres, legalizar o aborto já! Não podemos pagar pela crise!” deu a tônica tanto das falas quanto das palavras de ordem cantadas durante todo o trajeto – que contou com um escracho em frente ao escritório do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB).

Participaram da caminhada cerca de 4 mil pessoas e o encerramento, na Cinelândia, foi um dos pontos altos da manifestação. Após uma grande ciranda puxada pelos coletivos de mães defensoras da legalização do aborto e do direito ao parto humanizado – ao som do canto “Companheira me ajude, que eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor” -, houve uma apresentação das artistas idealizadoras do show “Primavera das Mulheres”.

O geógrafo David Harvey, que veio ao Rio participar do curso “Cidades Rebeldes e Espaços de Esperança”, caminhou ao lado das mulheres e marcou presença da concentração ao final do ato. O vereador Renato Cinco também participou do protesto.