Feminismo em debate no Espaço Plínio

44Com justa homenagem às doulas e um rico debate sobre feminismo e marxismo, nosso mandato encerrou com chave de ouro o mês de luta das mulheres no Espaço Plínio. O debate conduzido por Camila Valadão, assistente social e militante feminista, teve como tônica a desconstrução da ideia de que a posição de poder dos homens em relação às mulheres é natural ou um mero acaso.

Durante as suas falas, Camila trouxe diversas reflexões sobre a necessidade de compreendermos o machismo e a misoginia como estruturais e estruturantes da sociedade capitalista. Justamente por isso, é tão fundamental que se utilize o método marxista de análise da realidade também quando o tema é feminismo.

“Quando a gente fala de feminismo e marxismo, a gente está partindo de uma perspectiva para pensar o feminismo que defendemos e a realidade. Há um diálogo possível entre feminismo e marxismo? Eu acho que não só há um diálogo possível como acho que é a única alternativa para a construção de uma sociedade efetivamente emancipada – aí entendendo a emancipação humana em seu sentido mais amplo, não só essa emancipação restrita das liberdades individuais e dos direitos civis que o capitalismo possibilita”, afirmou Camila.

Após o debate, foi realizada a entrega da medalha Chiquinha Gonzaga para Paula Inara Melo. Paula é doula e militante do movimento de luta pelo parto natural, que tem trazido à tona debates fundamentais, como o combate à violência obstétrica. A medalha é uma comenda da Câmara Municipal, conferida apenas a mulheres que tenham se destacado na defesa de causas democráticas, humanitárias, artísticas ou culturais.

Durante a homenagem, Renato Cinco aproveitou para explicitar a motivação que levou à escolha de Paula. “Fiquei muito feliz com a indicação da Paula porque mais uma vez coloca o nosso mandato a serviço da luta concreta. Hoje existe uma grande luta em torno  da resolução do Cremerj, que proíbe a presença das doulas na sala de parto. A Paula tem uma militância que é absolutamente vinculada è essa luta. Além dessa ser uma homenagem à militância da Paula, é também uma homenagem estendida a todas as mulheres que hoje estão nessa batalha para garantir o direito de terem o acompanhamento das doulas – que a gente entende que é também uma luta contra a violência obstétrica”, declarou Cinco.

Paula, bastante emocionada, aproveitou a oportunidade para agradecer às mulheres que, de uma forma ou de outra, também fazem parte de sua história: “Não posso e nem farei disso um reconhecimento individual, mas sim um reconhecimento direcionado a todas as mulheres. Mulheres estas que fazem parte da minha história de vida (…). A indicação para o recebimento dessa medalha partiu de mulheres diversas – algumas próximas fisicamente, outras não – e que enxergaram no meu trabalho diário o reflexo de suas próprias lutas, seus anseios e seus desejos. Essa batalha é nossa e sem o trabalho em conjunto de vocês, bem pouco válido seria o meu esforço”, disse.