DCE da UFRJ recebe a medalha Pedro Ernesto

Untitled-1A noite de 7 de abril de 2016 serviu para manter viva a história combativa do DCE Mário Prata (UFRJ) em defesa da democracia e por uma educação pública de qualidade. Representantes de diferentes gerações do movimento estudantil se reuniram para recordar momentos de luta e receber a medalha Pedro Ernesto, oferecida ao DCE por iniciativa do mandato do vereador Renato Cinco.

A mesa da atividade foi formada por Luiz Rodolfo “Gaiola” (tradutor e militante do Grupo Tortura Nunca Mais) – diretor da entidade nos anos 1960 (gestão 68/69); Alcebíades Teixeira “Bid” – membro do DCE nos anos 1980; Anderson Ulisses – diretor nos anos 1990 (gestões 94/95, 95/96 e 99/00); e Luíza Foltran – da atual diretoria.

Antes de entregar a medalha, Cinco – que também militou na entidade na década de 90 – comentou sobre a dificuldade de preservar a memória do movimento estudantil. “Há muito tempo eu tinha o sonho de realizar uma mesa como essa para conversar sobre a história de uma entidade tão importante”, destacou.

Gaiola lembrou do complicado período de resistência à ditadura empresarial-militar e da militância de amigo Mário Prata, que foi assassinado pelos militares e posteriormente homenageado com o nome do DCE da UFRJ.

“Com o AI5, em 1968, o movimento estudantil continuou realizando manifestações, mesmo na clandestinidade. Os portões da faculdade ficavam apenas com uma pequena abertura, onde só passava uma pessoa por vez. Mais de três pessoas conversando no pátio era considerado como reunião. Além disso, o governo baixou o decreto 477, que expulsava da universidade qualquer pessoa apontada como subversiva, que ainda ficava 10 anos impedida de se matricular novamente”, explicou.

Alcebíades Teixeira, estudante de geografia, comentou, entre outros assuntos, sobre uma ocupação dos restaurantes universitários em 1983, em protesto contra o aumento no preço da refeição.

Ao recordar da atuação do DCE nos anos 90, Anderson Ulisses citou a participação do movimento estudantil nas lutas contra a privatização da Vale do Rio Doce e das companhias de telecomunicações. Outro momento marcante foi a ocupação da reitoria contra nomeação de José Vilhena para o cargo de reitor da UFRJ.

A estudante de letras Luíza Foltran, representando a atual diretoria do DCE, comentou sobre os desafios atuais do movimento estudantil, que é formado por uma geração que nasceu com o avanço do neoliberalismo e do ceticismo em relação às lutas sociais. Apesar deste contexto desfavorável, Luíza lembrou das recentes conquistas do movimento, como o fortalecimento da organização de mulheres dentro da universidade.