Pelo fim da cultura do estupro!

1Há pouco mais de uma semana, um caso de estupro coletivo ocorrido na Zona Oeste do Rio de Janeiro ganhou repercussão nas redes sociais e nos principais canais de notícia do país. Isso porque, não satisfeitos em abusar sexualmente de uma adolescente em condição vulnerável (a menina estava desacordada), os agressores fizeram questão de registrar toda a situação e divulgar o vídeo em diversos meios.
 
O que veio a seguir não é aceitável para qualquer pessoa que tenha o mínimo de empatia, mas é compreensível se entendermos que vivemos em uma sociedade machista e misógina. A vida pregressa da menina Beatriz, de apenas 16 anos, foi levantada e julgada. O fato de ter bebido ou utilizado outras drogas, usar roupas curtas e ter sido mãe aos 13 anos foram argumentos que municiaram as diversas vozes que se levantaram para questionar se de fato houve estupro e para responsabilizar a menina pela violência que sofreu. Até Alessandro Thiers, delegado que inicialmente era o responsável pelo caso, desqualificou a denúncia apresentada.

A resposta das mulheres foi quase instantânea: manifestações foram convocadas em diversas cidades do país. Aqui no Rio, o ato contra a cultura do estupro e em repúdio à culpabilização das vítimas ocupou a Avenida Presidente Vargas, no início da noite da última quarta-feira (01). Mais de dez mil pessoas – a maioria esmagadora de mulheres – anunciaram que o junho de 2016 será feminista: caminharam da Candelária até a Central do Brasil fazendo a contagem regressiva de 33 até “nenhum” várias vezes e cantando palavras de ordem, que reafirmavam o direito das mulheres aos seus corpos. Gritos como “fora Bolsonaro” e “fora Pedro Paulo” também foram repetidos.

Além das manifestações, outras inciativas têm mobilizado as ruas e também as redes. A página “33 dias sem machismo” – fazendo referência aos 33 estupradores -, criada no Facebook, é uma delas. Para ver a página, clique aqui. [https://www.facebook.com/33DiasSemMachismo] 

Renato Cinco se pronunciou sobre o caso do estupro coletivo no plenário da Câmara Municipal, na terça-feira (31). Cinco aproveitou a oportunidade para fazer a leitura de uma carta escrita pelas mulheres que compõem a equipe do mandato.

“Mas para falar desse assunto e poder, de fato, contribuir para o fim do machismo em nossa sociedade e da cultura do estupro que é fruto dele, é importante entender o local que ocupo: um homem com uma série de privilégios pelo simples fato de ter nascido homem e me reconhecer e identificar como tal. Um homem que ocupa um mandato parlamentar, em uma casa legislativa ocupada majoritariamente por homens.

Como não é possível abrir a tribuna para que alguma companheira com mais condições do que eu fale, aproveitarei esse momento para dar voz às companheiras que constroem cotidianamente o meu mandato e lerei uma carte escrita por elas", afirmou.

Veja a íntegra discurso:

Cinco também apresentou um pedido de audiência com a Secretária Municipal de Educação, Helena Bomeny, e com a Secretária Especial de Políticas para as Mulheres, Ana Rocha, para debater a aplicação da lei 5858/15, de autoria do nosso mandato, que "institui a Campanha Permanente de Combate ao Machismo e Valorização das Mulheres nas escolas públicas do Município do Rio do Janeiro."

Leia o texto da Lei

O governo Temer e as políticas para mulheres

Com a pauta do estupro coletivo ainda quente e em meio a uma forte mobilização das mulheres, o “presidente” Michel Temer não parou de nos trazer surpresas desagradáveis – para falar o mínimo.

A ex-deputada Fátima Pelaes foi nomeada Secretaria de Políticas para Mulheres. Indicada pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (agora este órgão é ligado ao Ministério), Pelaes é evangélica e foi presidente da Frente Parlamentar da Família e Apoio à Vida. Durante seu mandato parlamentar, se manifestou contrária ao aborto mesmo em caso de estupro. Sua nomeação representa mais um grande retrocesso.