Contra a PEC 241

1Na última segunda-feira (17), aconteceu, no Rio de Janeiro, o primeiro grande ato contra a PEC 241 ou “PEC do fim do mundo”, já que congela investimentos sociais – como educação e saúde – por 20 anos.

A manifestação teve concentração na Cinelândia e saiu pela Avenida Rio Branco, prosseguindo pela Avenida Chile. Quando se aproximava da passarela do Edifício Sede da Petrobras, o batalhão do Choque da Polícia Militar começou a atirar bombas de gás lacrimogêneo para reprimir a multidão e impedir que o ato fizesse seu encerramento em frente à Petrobras, como estava previsto.

O protesto teve de recuar de volta à Cinelândia, onde, ainda bem volumoso, continuou. Quatro rapazes com os rostos escondidos por camisetas picharam palavras de ordem na fachada do prédio da Câmara do Vereadores do Rio de Janeiro. Entre os presentes alguns vaiaram, outros apoiaram a forma de manifestação. Fora isso, não houve nenhum ato ali que fosse violento.

A tropa de choque se afastou na direção do Teatro Municipal, quando foi vaiada. Instantes depois receberia ordem de “limpar” a praça da Cinelândia e partiria com tudo sobre todos ali presente, sem distinção.

Uma ambulante, de nome Greici, se viu encurralada, sob uma chuva de bombas de gás arremessadas pela tropa, e revidou com um balde de água. Foi arrastada por quase vinte policiais e levada em um camburão para a 5ªDP, junto a midiativistas (presos porque estavam filmando). Ao todo foram seis detidos, um deles com ferimento grave na cabeça, em decorrência de um golpe de cassetete, foi levado à emergência do hospital público Souza Aguiar.

Um momento especialmente perturbador foi quando, após avançarem sobre os manifestantes pacíficos com uma chuva de bombas, os PMs se indignaram com os gritos – “não acabou, tem de acabar…”– dos frequentadores do bar e restaurante Amarelinho, tradicional ponto da boemia carioca, e avançou golpeando e jogando mesas para o alto. Pratos, copos e garrafas voaram sobre as cabeças de quem estava jantando com amigos e familiares.

Os manifestantes foram liberados na madrugada de segunda para terça-feira (18).

Sobre a PEC e as manifestações de estudantes e trabalhadores contrários à medida do governo Temer, Renato Cinco  se pronunciou na tribuna da Câmara de Vereadores nesta quinta (20):

“A engrenagem está aí para espoliar ainda mais a classe trabalhadora brasileira, seja atacando diretamente os seus direitos, seja cortando investimentos públicos que beneficiariam as trabalhadoras e trabalhadores. Essa engrenagem – da qual Eduardo Cunha é uma peça que quebrou, mas que já foi substituída – conta com o Congresso Nacional, com a grande imprensa e também com o aparelho de repressão do estado”, lembrou Cinco.

O vereador do PSOL no Rio de Janeiro também repudiou a violência praticada pela polícia:
“Quando a direita vai para as ruas, a polícia bate continência, mas quando os trabalhadores vão para as ruas lutar pelos seus direitos, a polícia baixa a porrada nos manifestantes! Como fez de novo na última segunda-feira, atacou inclusive o Amarelinho (aqui do lado), as pessoas ficaram trancadas dentro do bar, respirando gás lacrimogêneo porque a manifestação não era de direita, e , sim, em defesa dos direitos dos trabalhadores. O povo brasileiro precisa ficar atento, porque esse governo que vem com disposição para atacar os direitos trabalhistas, também vem com disposição para atacar os direitos democráticos. Eles sabem que para aumentar a espoliação da nossa população, tem que diminuir a democracia no nosso país. O autoritarismo cresce na medida em que aumenta a espoliação do nosso povo. E é esse o cenário  que nós vamos ver nos próximos anos. Mas nós não vamos nos intimidar!

Segunda-feira que vem, estaremos novamente nas ruas de todo o país em luta para barrar a PEC do fim do mundo, a PEC 241.”

No Rio de Janeiro, a concentração acontece a partir das 17h desta segunda (24), na Candelária.
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“Faremos uma manifestação pacífica como sempre fazemos. E não vamos nos intimidar com a violência do estado. E que a polícia e o estado respeitem o direito de manifestação das trabalhadoras e trabalhadores ou que arquem com a responsabilidade e com o risco de incendiar novamente o Brasil”, ressaltou Cinco.