Apenas começamos!

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“E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.”

Legião Urbana – Metal contra as nuvens

Um milhão, 163 mil e 662. Esse foi o número de pessoas que depositaram sua confiança em um projeto coletivo de cidade representado por Marcelo Freixo e Luciana Boiteux. Com mais de 40% dos eleitores da cidade no segundo turno, é inegável que o PSOL saiu fortalecido nas eleições. No primeiro turno, o partido teve 283 mil e 648 votos na chapa de vereadores e aumentamos nossa bancada de quatro para seis parlamentares, perdendo apenas para o PMDB, que reduziu de tamanho: de 18 para 10 vereadores. Depois de dois meses e meio de árdua campanha, a praça pública esteve mais uma vez lotada para acompanhar a apuração na Cinelândia. Como Chico Alencar lembrou, mesmo depois do resultado negativo, a praça enchia cada vez mais, com pessoas se abraçando felizes. Sabíamos que a vitória política era nossa.

Com cinco vezes menos dinheiro que nosso adversário, doações feitas por mais de 14 mil indivíduos, um programa construído por cinco mil pessoas desde 2015, mais de um milhão de eleitores por todos os bairros da cidade do Rio de Janeiro não só conheceram nossas ideias e princípios, como acreditaram que é possível outra cidade, outra forma de fazer política. Mesmo em alguns bairros da zona oeste, em que Crivella superou Freixo por mais de 70% dos votos, não podemos ignorar as milhares de pessoas que debateram, construíram nosso programa, acreditando que é possível uma outra sociedade, que combate as opressões, que seja justa e igualitária. Analisando os números absolutos, observamos que, neste segundo turno, Freixo teve 545.350 votos na zona norte, 388.940 na zona oeste, 172.525 na zona sul e 56.847 no centro. O site “Esquerda Diário” faz uma boa análise do mapa eleitoral para além de mapas que pintam apenas de uma cor toda uma região, ignorando as nuances e gradações (e ainda, as votações minoritárias de cada local). Leia aqui.

Nada será como antes

Vimos nesta semana, após a derrota eleitoral, muitas pessoas do campo progressista desesperadas com as possíveis medidas conservadoras (tanto no âmbito socioeconômico, como no âmbito cultural e comportamental) de Crivella a partir do ano que vem.

De fato, o governo do bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, envolvido em tantos escândalos e polêmicas de violação dos direitos humanos, tem tudo para agravar os ataques às trabalhadoras e aos trabalhadores cariocas e regredir em diversos aspectos no tocante às opressões específicas (machismo, LGBTfobia, racismo, por exemplo).

Entretanto, é preciso que não nos esqueçamos nunca de nossa força. Durante a campanha do PSOL, mais de 58 mil pessoas se inscreveram para se mobilizar e irão continuar atentas e unidas na luta para garantir direitos e barrar retrocessos. Se você ainda não se inscreveu, acesse aqui. Nenhuma outra campanha encheu tantas praças, contou com tantos militantes (históricos ou de primeira viagem) e foi tão emocionante quanto a nossa. Enfrentamos Bolsonaros e seus seguidores, enfrentamos a máfia do PMDB e os mandamos para casa mais cedo no primeiro turno. Enfrentamos todo o poderio econômico da Igreja Universal, Rede Record, Malafaia e seus boatos espalhados por perfis falsos (robôs) nas redes sociais e, ainda assim, mais de 40% do Rio acreditou que outra cidade é possível, com luta, esperança, com raça e amor!

É como bem diz a música da Legião Urbana: “Apenas começamos!”

À luta!