COP 22: ecossocialismo ou barbárie!

4Termina, nesta sexta-feira (18), a 22ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22) em Marrakech, no Marrocos. Desde segunda-feira (07), mais de 15 mil participantes – entre políticos, cientistas, integrantes de ONGs e empresários – estão reunidos no evento mundial, que tinha como objetivo ratificar e discutir a aplicação do Acordo de Paris. Assinado por 192 nações em dezembro do ano passado, o acordo prevê que os países devem trabalhar para que o aquecimento global fique muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC. Além disso, os países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões por ano para combater as mudanças climáticas.

A eleição do republicano Donald Trump para presidente dos EUA, na semana passada, caiu como uma bomba para os participantes da Conferência no Marrocos. Não que a política dos democratas estadunidenses tenha contribuído para o combate das mudanças climáticas. Mas o conservador Trump já havia dito, em campanha, que não só não cumpriria, como cancelaria o Acordo de Paris, e que incentivaria a exploração de carvão, prometendo criar postos de trabalho neste setor. Obviamente, o presidente eleito norte-americano não tem poder para cancelar um acordo internacional multilateral, mas, na prática, pode fazer com que o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo trabalhe para aumentar o aquecimento global e não para dimuní-lo.

O físico do clima Alexandre Araújo Costa, que participou do encontro em Marrocos, conta um pouco como a Conferência recebeu a notícia da eleição de Trump: “Na COP22, prevalecem o choque e a perplexidade, mal disfarçados com declarações, como a de Ban-Ki-Moon, de contarem com Trump para a continuidade do processo de solução da crise climática por cima. Mas é evidente que todos sabem que esse caminho, que possui tantos limites demonstrados repetidamente, ficou ainda menos viável com a eleição desse canalha.”

No último domingo, mais de 5 mil pessoas foram às ruas de Marrakech na “Marcha pela Justiça Climática”, exigindo justiça climática e justiça social. Segundo os organizadores da marcha, o ato foi uma demonstração de força no que diz respeito à ação climática. “O verdadeiro poder não pertence às Nações Unidas nem a Donald Trump, mas ao povo. Temos de aumentar a intensidade da nossa contestação para conseguir vencer a crise climática.”

O prognóstico, segundo muitos cientistas, é de que, se o Acordo de Paris, que é muito tímido, não for cumprido, as próximas duas a três gerações de seres humanos correm sérios riscos com a catástrofe climática. Para a sobrevivência da espécie humana no Planeta Terra, não bastam apenas acordos, que em muito pouco mudam o sistema energético, mas sim a superação do sistema capitalista de produção.