Privatizar a Cedae é roubar o patrimônio do povo do Rio de Janeiro

2017 começou com a discussão sobre Termo de Compromisso para Recuperação do Rio, assinado pelos governos estadual e federal. O documento reuniria as condições necessárias assumidas pelo governador Luiz Fernando Pezão para que o Estado do Rio de Janeiro passe a receber apoio financeiro da União, como empréstimos e suspensão dos pagamentos de dívidas por três anos.

Impressiona como governos ilegítimos – tanto o Governo Federal, que assumiu a presidência a partir de um golpe parlamentar; como o estadual, já cassado pelo TRE – trabalham para aprofundar a crise. A solução apresentada no documento traz ainda mais danos ao povo do Rio. Um dos principais escândalos é a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE).

Privatizar a Cedae é utilizar a empresa como moeda de troca. O alerta foi feito na última quarta-feira (15), na reabertura dos trabalhos da Câmara Municipal: “Ao invés de apresentar propostas para que o nosso Estado saia da crise, o Governo Federal vem roubar o patrimônio do povo do Rio de Janeiro, para entregar para quem? Para as empreiteiras que estão envolvidas na Lava Jato. São elas que vão comprar a Cedae, por meio da ‘Águas do Brasil’’’, disse Renato Cinco (vereador reeleito pelo PSOL).

A votação do documento tem provocado diversas manifestações de trabalhadores da companhia e demais movimentos contrários à privatização. Dados divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente do Rio de Janeiro e Região (SINTSAMA-RJ) ajudam a entender os prejuízos caso a medida seja aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Embora a empresa valha entre R$ 10 e R$ 14 bilhões, a negociação prevê o pagamento de apenas R$ 4 bi. Somente a receita da empresa em 2015 foi de R$ 4,47 bilhões. Além disso, a Cedae repassou em 2016 R$ 68 milhões ao governo.

A questão da água foi bastante debatida na Câmara no último período pela Comissão Especial sobre o Colapso Hídrico, presidida por Renato Cinco. Em seminário internacional, realizado em dezembro de 2015, com pesquisadores da Inglaterra, da França, da Argentina e com lideranças populares da Bolívia, o cenário era de reestatização da distribuição de água e esgoto em mais de 250 cidades no mundo. As privatizações desse setor, que tiveram início nos anos 1990, mostraram-se fracassadas, inclusive em Paris, Berlim e Buenos Aires. A experiência brasileira, com a privatização da Sabesp em São Paulo, também alerta para os perigos dessa medida.

Atualmente a Cedae atende 12 milhões de pessoas e dá lucro. A pergunta que não quer calar: Como uma empresa que tem lucro há 7 anos consecutivos, se autofinancia, paga fornecedores, empresas terceirizadas e salário de seus empregados pode ser privatizada? Para o vereador Renato Cinco, “os governos estão preocupados em criar, a partir da crise do Estado do Rio de Janeiro, mais uma oportunidade para as empreiteiras da Lava Jato roubarem o patrimônio do povo do Rio. Acho absolutamente demonstrativo que as Forças Armadas sejam utilizadas para assaltarem a mão armada o povo do Rio de Janeiro”.

Nesta segunda-feira (20), a ALERJ votará o projeto que entrega a CEDAE para a privatização. Para barrar essa votação, é necessário um total de 36 votos contrários. Somente a mobilização popular é capaz de fazer a Assembleia recuar.

Veja o discurso de Renato Cinco:

Participe da mobilização contra a privatização da Cedae:

TELEFONE pela CEDAE
Telefone para deputados que ainda estão indecisos sobre a privatização da CEDAE.

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