Mulheres de luta!

Março de 2017, mês marcado pelo centenário da revolução russa e pelo legado de luta das mulheres. As protagonistas da marcha por paz, pão e terra na Rússia permanecem vivas naquelas que neste 8 de março organizaram uma Greve Internacional de Mulheres em 57 países. No Rio de Janeiro, milhares de mulheres ganharam as ruas para dizer que não vão pagar pela crise. Levantaram-se contra a reforma da previdência e trabalhista, contra a privatização da Cedae, contra a precarização da UERJ, contra a violência machista que assola a nossa sociedade todos os dias.

A simbologia de março e a luta pelo fim das desigualdades entre homens e mulheres trazem para a esquerda o desafio de fazer ecoar diariamente as bandeiras libertárias.

Em discurso no plenário, Renato Cinco fez a leitura de uma carta, assinada pelas mulheres que trabalham e colaboram com o nosso mandato, explicando porque aderiram à paralisação. Veja a íntegra do discurso:

Cinco também aproveitou o mês de luta das mulheres para apresentar o requerimento da concessão da medalha Chiquinha Gonzaga para Claudia Santiago.

Carioca, nascida em 1962, Claudia foi uma destacada jornalista sindical. Nos anos 1990, participou da fundação do Núcleo Piratininga de Comunicação – NPC e se dedicou à elaboração de uma comunicação popular e da classe trabalhadora, mantendo sempre seu compromisso com a luta pela democratização da comunicação. Produziu jornais, revistas, escreveu e editou livros e agendas. Organizou diversos cursos de formação na área de comunicação e contribuiu com a formação de uma legião de comunicadoras e comunicadores populares Brasil a fora.

As discussões sobre gênero estiveram presentes nas atividades do NPC desde muito. O cuidado e a dedicação à pauta das mulheres resultaram, depois de anos de pesquisa, na cartilha “A origem socialista do dia da mulher”, escrita por Claudia e Vito Giannotti. Lançada em 2004 pelo NPC, o documento resgata a trajetória da greve das tecelãs em São Petersburgo, iniciada no dia 8 de março de 1917, que daria origem a Revolução Russa.

Entregar a medalha Chiquinha Gonzaga à Claudia Santiago é reconhecer o seu trabalho na formação e organização das mulheres que atuam em diferentes movimentos, e especialmente daquelas de origens mais humildes e que vivem sob condições mais difíceis, colaborando para transformá-las em sujeitas sociais que falam e dão voz a muitas e muitos outros através da comunicação e da luta. Mais do que isso, é homenagear as mulheres socialistas que fizeram e fazem história no mundo.

A homenagem acontecerá no dia 30 de março, às 18h30, no Espaço Plínio, localizado na Rua da Lapa, 107. Durante o evento, vamos saudar a luta feminista e conversar sobre a origem socialista do “Dia Internacional de Luta da Mulher”.